Não é apenas uma questão de petróleo. É uma batalha pela paisagem, pela história, pela própria face do Alto Garda. Com esta convicção, a Comunità Montana Parco Alto Garda Bresciano, em colaboração com a Aipol, iniciou oficialmente o Programa estratégico para a oliviculturaum projeto desejado pelo presidente Franceschino Risatti para responder a uma crise que paira sobre as colinas ao redor do lago há anos.
O alarme não é novo, mas a resposta, desta vez, parece ser estruturada e coral. A iniciativa envolve mais de 400 olivicultores – profissionais e amadores, grandes empresas e pequenos lotes – distribuídos nos sete municípios costeiros do Parque, de Salò a Limone sul Garda. Um exército silencioso que a Comunidade da Montanha pretende apoiar e estabelecer em rede, para conter o abandono e a degradação que ameaça uma das culturas mais emblemáticas da região.
O paradoxo da heróica olivicultura
As razões da crise são conhecidas e amargas: produção cada vez mais instável, afetada por eventos climáticos extremos e pelo avanço de novos parasitas; aumento dos custos de gestão; e, acima de tudo, uma compensação que muitas vezes não compensa o compromisso e os investimentos necessários. Em Alto Garda, onde as oliveiras crescem em terrenos impermeáveis e terraços sobranceiros ao lago, fala-se, com razão, de “agricultura heróica”. E como todos os empreendimentos heróicos, este também necessita de apoios concretos para não sucumbir.
«A olivicultura não é apenas uma atividade económica – sublinha Risatti – é o elemento identificador da nossa paisagem, um património cultural e turístico que devemos preservar para as gerações futuras».
Um canal WhatsApp para se manter atualizado
Entre as novidades mais apreciadas do programa está o nascimento do canal WhatsApp «Olivicultura Alto Garda». Um espaço aberto, gerido por técnicos da Aipol, destinado a divulgar em tempo real atualizações, informações técnicas e conteúdos dedicados aos operadores do setor. O sucesso é imediato: já 220 cadastradosdemonstrando uma necessidade de comunicação e comunidade que até então permanecia desconhecida.
Inseto asiático e margarônia: os inimigos de hoje
Mas o programa não se limita à comunicação. Esta manhã, no salão cívico Castellani de Gargnano, teve início a primeira de uma série de reuniões técnicas dedicadas aos principais inimigos da oliveira. Sobre a mesa, dois parasitas particularmente insidiosos:
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O percevejo asiáticoresponsável pelo fenômeno da queda dos frutos – a queda prematura dos frutos – que está colocando muitas empresas à prova;
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Margarôniauma mariposa até recentemente considerada um dano secundário às folhas, mas que também estendeu o seu ataque às azeitonas em fase de crescimento, surpreendendo os próprios técnicos.
Os especialistas ilustraram como reconhecer insetos e sintomas e quais estratégias adotar para contê-los, com uma parte prática no campo que aconteceu das 9h30 às 11h. A participação foi gratuita e sem reservas, um sinal de um desejo de abertura e inclusão que envolve também os produtores não profissionais.
Um verão de treinamento e licença fitossanitária
A nomeação de Gargnano é apenas a primeira. Durante o verão, seguir-se-ão outros encontros dedicados às principais adversidades da oliveira, cursos de poda e ações de formação. Será dada especial atenção amadoresque poderá obter a licença obrigatória para o uso profissional de produtos fitofarmacêuticos, passo fundamental para garantir segurança e competência num setor cada vez mais exigente.
Mosca do petróleo controlada: 47 armadilhas nos municípios
Ao mesmo tempo, o monitoramento do mosca de óleoo parasita histórico que todos os anos coloca em risco a colheita. Eles já estão ativos 47 estações de armadilhas distribuídas nos Municípios do Parque, podendo os olivicultores que pretendam participar na atividade de controlo recolhê-las diretamente na sede da Comunidade Serrana. Um sistema de vigilância capilar que permite uma intervenção atempada, reduzindo o impacto dos tratamentos e salvaguardando a qualidade do óleo.
O desafio do futuro: taxa turística para as oliveiras?
Entretanto, cresce o debate sobre o papel do turismo na protecção da paisagem agrícola. Vários prefeitos de Alto Garda já levantaram a proposta atribuir uma parte da taxa turística aos olivaisuma ideia que encontra cada vez mais apoio e que pode representar um importante motor para o financiamento de intervenções de manutenção e recuperação.
A olivicultura do Alto Garda, hoje mais do que nunca, é chamada a enfrentar um desafio que vai além da produção. É um desafio cultural, ambiental e económico. E com este programa estratégico, a Comunidade da Montanha e os seus olivicultores parecem prontos para a colher.