Azeitonas de freixo e cal virgem: 90 anos da Famiglia Cristiana

Em dezembro o semanário “Famiglia Cristiana” publicou um número especial dedicado ao nonagésimo aniversário da revista. Não creio que seja necessário explicar aqui o que é a Famiglia Cristiana, porque imagino que cada um de nós já teve em mãos esta publicação pelo menos uma vez na vida, inicialmente distribuída pelas freiras paulinas e que com o tempo saiu dos recintos eclesiais, abandonando aquele formato de boletim paroquial para se tornar uma revista semanal com um milhão de exemplares na década de setenta (dois milhões por ocasião do seu 40º aniversário). Um fenómeno que na década de 1980 o novo realizador Don Leonardo Zega afirmou ser a referência da “família italiana contemporânea mas confessa, crentes mas não fanáticas, sérias mas não fechadas às exigências do mundo que os rodeia”.

Ao número comemorativo que chegou às bancas no Natal de 2021, foi anexado um exemplar do primeiro número em preto e branco, impresso em Alba em dezembro de 1931.

Chamava-se “La Famiglia Cristiana” e era um “Semanário para Mulheres e Filhas” (assim diz o título/subtítulo). E como tal tinha “Per la Mia Casa”, uma página dedicada às tarefas do lar, na qual não podiam faltar as receitas, listadas no capítulo “Na cozinha”. Nesta primeira edição há dois.

O primeiro é “Peixe Frito”. recipiente com furos ou espalhando-o sobre uma folha de papel vegetal cinza””.

A segunda diz respeito à preparação das azeitonas de mesa: a seguir relato o texto na íntegra porque considero interessante analisar a linguagem e o conteúdo e refletir sobre o fato de que há noventa anos uma revista católica, concebida e impressa no centro do Piemonte, a região menos olivícola da Itália, deu esta importância às frituras e às azeitonas.

AZEITONAS EM SALMOURA
As azeitonas que se pretende utilizar na mesa e na cozinha devem ser de boa qualidade, grandes e carnudas, e colhidas alguns dias antes de atingirem a maturidade completa.
A primeira operação a fazer é preparar um mingau da seguinte forma:
Pegue para cada quilo de azeitona um quilo de cinza e 80 gramas de cal viva.
Para obter cal viva, mergulhe-a em água com a mão por 5 ou 6 segundos de minuto e depois coloque-a sobre um pedaço de papel. Você verá que ele racha, fumega, incha e vira pó. Quando estiver reduzido a pó, deve-se misturá-lo com as cinzas e, despejando a água, formará uma polpa nem muito densa nem muito líquida, na qual colocará as azeitonas, pressionando-as com alguma coisa para que não flutuem à superfície, e deixe-as por 12 ou 14 horas, ou seja, até que fiquem um pouco macias.
Em seguida, retire-os da polpa, lave-os em bastante água e deixe-os em água doce por 4 ou 5 dias, trocando a água três vezes ao dia.
Depois de bem purgados de todos os vestígios de papa, ou seja, quando a água ficar límpida e as azeitonas perderem o amargor, ferva durante alguns minutos 8 decilitros de água com 80 gramas de sal, sempre na proporção de cada quilograma de azeitonas, e alguns pedaços grandes de talo de erva-doce. Depois deixe esfriar e, depois de retirar as azeitonas da água e colocá-las em uma jarra de vidro, despeje sobre elas esta salmoura e deixe-as imersas.
Desta forma conservam-se muito bem durante alguns meses.

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