UM Azeite Tunísia sem controlo e direcção, enfrentando uma crise financeira sem precedentes, isto não é, em nenhum sentido, uma boa notícia para Itália.
Após a prisão de Abdelaziz MakhloufiCEO do grupo CHO, principal indústria de azeite da Tunísia, o incumprimento técnico de Adel Ben Romdhaneprincipal exportador de azeite da Tunísia, o que deixou uma buraco de pelo menos 150 milhões de euroscolocaram centenas de lagares de petróleo, milhares de explorações agrícolas familiares e muitos operadores profissionais de joelhos.
Com Abdelaziz Makhloufi preso e Adel Ben Romdhane refugiado em Espanha, a liderança do sector foi assumida pelo Estado que, no entanto, não tinha capacidade financeira nem organizativa para substituir estes dois actores.
O diretor doONH (Escritório Tunisino do Azeite), demitido no local no dia 4 de Março, que tentou salvar o sector da falência, mas endividou a estrutura durante cerca de 120 milhões de euros.
Dos 644 milhões de euros de receitas provenientes da exportação de azeite para o estrangeiro nos primeiros meses da campanha do azeite, a Tunísia encontra-se com um buraco financeiro de quase 300 milhões de euros, incluindo o de Adel Ben Romdhane e da ONH, excluindo os indiretos dos lagares e das empresas agrícolas.
O risco de colapso torna-se ainda mais evidente pelo facto de o principal credor de Adel Ben Romdhane ser o banco BH, que conta com uma forte participação estatal, e que está exposto por cerca de 130 milhões de euros, cerca de 33% dos fundos próprios do banco. O Banco Central da Tunísia impõe um limite estrito de 25% às responsabilidades para com uma única contraparte ou um grupo económico consolidado. O Banco BH encontra-se, portanto, numa situação de irregularidade formal e substancial que o obrigaria a uma nova recapitalização, depois da última há menos de 10 anos.
Mas onde conseguir o dinheiro? A Tunísia registou um défice orçamental igual a 6,60% do Produto Interno Bruto do país em 2024. Foi impossível encontrar 300 milhões de euros nas dobras do orçamento para colocar o sector de volta aos trilhos.
Isto significa que falha de 200-300 britadoresque por sua vez não conseguirão pagar as suas dívidas aos bancos. Da mesma forma o empresas agrícolasmuitos dos quais são familiares, não conseguirão gerir agronomicamente os olivais, pois não têm dinheiro para o fazer.
A Tunísia corre o risco de empobrecer ainda mais, agravando o fenómeno da emigração para a Europa, mas também deixando espaço para especuladores que poderiam considerar vantajoso adquirir olivais e lagares por alguns cêntimos. Isto significa que a Tunísia está ainda mais à mercê da especulações sobre o azeite a médio prazo, com a chegada à Itália de grandes quantidades de petróleo a preços insignificantescapaz de desestabilizar o mercado.
A Tunísia dança à beira da ravina, num silêncio geral, enquanto a Itália dorme.