Antes mesmo de começar um concerto, na Úmbria o protagonista já está diante dos olhos do público. Pode ser um pico dos Apeninos, uma floresta, uma vinha, uma abadia, uma praça medieval ou um sítio arqueológico. No Suoni Controvento a paisagem não é cenário do espetáculo: ele é o primeiro artista a subir ao palco.
Esta é a ideia que, em dez anos, transformou Suoni Controvento num dos formatos culturais mais reconhecidos da cena italiana. Nascido entre as aldeias de Monte Cucco, o festival atravessa hoje toda a Úmbria, envolvendo 26 municípios de 15 de julho a 13 de setembro num único projeto que entrelaça música, literatura, arte, natureza e reflexão civil, transformando o território no verdadeiro protagonista da experiência.
De Assis a Norcia, de Perugia a Spoleto, passando por Montefalco, Gubbio, Narni, Trevi, Campello sul Clitunno, Sellano, Sigillo, Costacciaro, Scheggia e Pascelupo, Montone, Magione, Corciano, Acquasparta, San Gemini, San Venanzo, Marsciano, Spello, Bastia Umbra, Fossato di Vico, Gualdo Tadino, Stroncone e Terni, o festival constrói uma rede cultural que une administrações, associações, operadores e cidadãos num projeto partilhado de valorização territorial. Um mosaico de lugares e comunidades que não representam o quadro dos acontecimentos, mas constituem a sua essência.
Você não vem aqui só para assistir a um show. Caminha-se por caminhos, atravessa-se bosques, descobre-se aldeias, chega-se a abadias e fortalezas medievais, entra-se em parques naturais, vinhas ou sítios arqueológicos. O concerto torna-se o ponto de chegada de uma experiência mais ampla, em que a viagem faz parte do espetáculo e o território deixa de ser um simples cenário para se tornar protagonista. Um modelo que interpreta uma das evoluções mais significativas do turismo contemporâneo: vivenciar os lugares de forma lenta, autêntica e participativa.
A sustentabilidade representa o princípio que norteia todo o evento. Desde a sua criação, a Suoni Controvento concebe eventos ligeiros e temporários, minimizando o impacto nos ambientes naturais e promovendo um comportamento responsável por parte do público. O festival mede e compensa a sua pegada de carbono através de um processo certificado criado com Regusto, utiliza energia limpa graças à parceria com Hera Comm e está entre os poucos festivais italianos que obtiveram a certificação internacional ISO 20121, a norma que define os requisitos para a gestão sustentável de eventos do ponto de vista ambiental, social e económico. Um modelo reconhecido internacionalmente que demonstra como a cultura e a proteção da paisagem podem crescer juntas.
Para esta nova edição subirão ao palco Angelina Mango, Giovanni Allevi, Coez, Mannarino, Fabrizio Moro, I Cani, Luca Barbarossa, Sam Garrett, Angelica Bove, Cisco e muitos outros. A par dos concertos regressam “Libri in Cammino”, os passeios literários com autores como Christian Raimo, Daniele Mencarelli, Sandro Campani e Giovanni Dozzini, os encontros de “Rai Umbria e Suoni Controvento per il Sociale” dedicados aos grandes temas da actualidade, trekking, passeios de bicicleta, observações do céu, workshops e actividades para todas as idades, confirmando uma oferta cultural que vai além do conceito tradicional de festival de música.
O décimo aniversário também será celebrado com a exposição fotográfica “Oltre il Palco. Chi. Come. Suoni Controvento”, patente até 14 de julho na antiga Chiesa della Misericordia de Perugia. Através das filmagens de Emanuele Pontani e Federico Ventriglia, o público entrará nos bastidores do evento, descobrindo o trabalho de técnicos, voluntários, organizadores e operadores que, ano após ano, tornam possível um dos projetos culturais mais complexos e reconhecidos e difundidos no país.