A Deoleo fecha 2025 com resultados definidos como “muito positivos”, marcando uma clara inversão face à volatilidade que caracterizou 2024. O grupo espanhol, líder mundial no azeite, registou um EBITDA de 50 milhões de euros, um aumento de 50% numa base anual, e um resultado líquido de 20 milhões de euros, suportado tanto pela melhoria operacional como pela reavaliação das marcas, que levou à reversão de imparidades para 17 milhões de euros.
Depois de um ano anterior marcado por escassez de matérias-primas e tensões de preços, a normalização da produção – particularmente em Espanha, onde a campanha 2024/25 registou um crescimento da colheita de 64% – favoreceu um reequilíbrio dos preços na fonte e uma recuperação da procura. Neste contexto, a Deoleo aumentou o volume de vendas em 11%, ao mesmo tempo que melhorou a rentabilidade graças a uma estratégia focada na criação de valor.
O volume de negócios situou-se nos 821 milhões de euros, reflectindo a transferência da redução dos custos das matérias-primas para os consumidores. Apesar da queda das receitas face aos picos anteriores, a margem bruta global cresceu 30%, atingindo os 129 milhões de euros, enquanto a margem bruta unitária aumentou 17%, um sinal de uma gestão comercial mais eficiente.
Expandindo os principais mercados
Geograficamente, a empresa registou um sólido crescimento de volume em Espanha (+18%) e Itália (+12%), bem como um aumento de 3,5% nos Estados Unidos, um mercado estratégico onde o grupo manteve as suas participações apesar do impacto das taxas de câmbio e tarifas.
Precisamente no mercado americano, o CEO Cristóbal Valdés sublinhou a aposta da empresa na promoção do valor do azeite como elemento chave para a qualidade de vida, ao mesmo tempo que destacou o trabalho em curso para obter possíveis isenções tarifárias.
Campanha 2025/26: chuvas e perspectivas
Olhando para a campanha 2025/26, as chuvas abundantes em Janeiro e Fevereiro poderão levar a uma produção ligeiramente inferior às estimativas feitas nos meses anteriores. Segundo a gestão, o impacto na qualidade deverá ser limitado, pois as chuvas afetaram apenas a fase final da colheita. As mesmas chuvas poderão favorecer a campanha seguinte, 2026/27, criando as condições para um ano particularmente favorável.
O papel da “EVOO-lução”
O plano estratégico “EVOO-lution” confirma-se como o pilar do relançamento. As iniciativas de crescimento “Top Line” têm apresentado um desempenho positivo especialmente nos Estados Unidos e no Norte da Europa, com ganhos de quota em mercados como a Alemanha e a Holanda. Ao mesmo tempo, a Índia está a consolidar o seu papel como mercado de elevado potencial.
A inovação de produtos representa outra alavanca fundamental: as novas gamas – incluindo vinagres, linhas de cozinha quente e a expansão do formato “Dress & Drizz” em nove países – geram em média uma margem bruta 25% superior ao resto do portfólio. Para apoiar as marcas, o grupo investiu 17 milhões de euros em publicidade e promoção, um aumento de 30% face ao ano anterior.
Alívio de dinheiro e dívidas
A geração operacional de caixa atingiu 56 milhões de euros (+72%), graças à melhoria do EBITDA e à redução do fundo de maneio (-27%). Isto permitiu reduzir a dívida financeira líquida comparável em 26%, elevando-a para 86 milhões de euros. O rácio de alavancagem caiu para 1,7 vezes o EBITDA, face às 3,5 vezes do ano anterior, reforçando a flexibilidade financeira do grupo.
Quanto ao litígio fiscal envolvendo a subsidiária italiana Carapelli Firenze, a empresa reiterou uma abordagem baseada na transparência e na prudência, sublinhando o apoio dos acionistas relevantes, que em 2025 já disponibilizaram fundos sob a forma de dívida subordinada para fazer face à potencial exposição.