O olival tradicional da província de Jaén enfrenta uma das fases mais delicadas da sua história recente. Segundo um novo estudo, esta não é uma simples fase negativa dos mercados, mas uma crise estrutural que põe em causa todo o modelo de produção.
A pesquisa é assinada por Antonio Ruz Carmonagerente da Cooperativa Agrícola San Roque de Arjonilla; Manuel Parras Rosaprofessor de Marketing e Pesquisa de Mercado da Universidade de Jaén; E Sérgio Colombopesquisador do IFAPA Camino de Purchil em Granada.
Elevados custos de produção e fragmentação das terras na origem da crise do azeite
No centro da análise está a fragmentação da terra. 72% das parcelas não ultrapassam um hectare de superfície: uma pulverização extrema que, segundo os autores, gera “ineficiências matemáticas” que comprometem a sustentabilidade económica das empresas.
Durante décadas, o sistema sobreviveu graças ao trabalho familiar não remunerado. Mas os números revelam outra realidade. O chamado “Custo Aparente” de produção situa-se nos 2,98 euros por quilo, considerando apenas os custos diretos. No entanto, se forem incluídos o trabalho independente e os custos de oportunidade, o “Custo Real” sobe para 4,98 euros por quilo.
Uma diferença que pesa sobretudo na rotatividade geracional. “A falta de rentabilidade estrutural é o principal obstáculo à entrada dos jovens”, sublinham os especialistas, destacando como as novas gerações não estão dispostas a trabalhar sem uma remuneração digna.
Cooperativas protagonistas da mudança
De acordo com o estudo, as soluções individuais atingiram agora o limite da sua eficácia. A proposta é transformar as cooperativas em verdadeiras plataformas estratégicas de gestão fundiária.
São indicadas três ferramentas: o Contrato de Arrendamento Cooperativo Zonal (ARZ), para incentivar a agregação de terras; a Seção de Gestão Agrícola (SGF), para centralizar operações e compras; e a Seção de Transformação de Área (STF), para orientar coletivamente a reconversão e modernização das empresas.
Um passo decisivo
A mensagem final é clara: o olival tradicional jienense deve passar de uma gestão fragmentada e isolada para um modelo partilhado e profissionalizado. Só através da agregação, da medição de ineficiências e da adoção de ferramentas tecnológicas o setor poderá evoluir para uma indústria verde capaz de garantir rentabilidade e futuro para as próximas gerações.