O projeto europeu Soil O-Live, coordenado pela Universidade de Jaén, confirma-se como uma das iniciativas mais estratégicas para o futuro do setor oleícola mediterrânico. A quarta reunião anual, realizada na cidade de Meknès, reuniu especialistas de sete países, juntamente com representantes da Comissão Europeia e do Conselho Oleícola Internacional, fortalecendo uma colaboração internacional cada vez mais crucial.
No centro do projeto está uma mudança de paradigma: o solo já não é considerado um simples suporte de produção, mas um elemento chave para garantir a produtividade, qualidade e sustentabilidade do azeite virgem extra. Neste contexto, assume particular importância a valorização dos subprodutos da olivicultura, transformados em recursos úteis para a regeneração dos terrenos.
Entre as soluções mais promissoras destacam-se os solos orgânicos à base de biochar, capazes de melhorar a estrutura do solo, aumentar a capacidade de retenção de água e estimular a atividade biológica. Uma abordagem que se enquadra plenamente nos princípios da economia circular: os resíduos da cadeia de abastecimento de petróleo são reintegrados nos campos, reduzindo o desperdício e aumentando a sustentabilidade global do sistema.
Mas o Soil O-Live não se limita à pesquisa teórica. O consórcio já testa tecnologias que podem ser aplicadas diretamente nas fazendas, como hidroinfiltradores para otimizar o uso da água, enmiende orgânico para regeneração do solo e técnicas de eletrorremediação química. O objetivo é claro: reforçar a resiliência dos olivais face a desafios cada vez mais prementes, como o stress hídrico e a degradação dos solos.
Outro elemento distintivo do projeto é a ligação direta entre a saúde do solo e a qualidade final do óleo. Nesta direção enquadra-se o Concurso Internacional Soil O-Live, cuja terceira edição será lançada em maio de 2026 em colaboração com a Deoleo, com o objetivo de aproximar a investigação científica e o mercado.
Paralelamente, está a ser desenvolvido o Protocolo de Sustentabilidade Soil O-Live, destinado a tornar-se uma referência na avaliação de práticas sustentáveis na olivicultura. O protocolo, que será apresentado em conjunto com os organismos europeus de normalização, poderá também ter um impacto significativo na diferenciação comercial do azeite virgem extra.
A reunião de Meknès destacou também a importância da cooperação entre os países produtores mediterrânicos, com especial destaque para Marrocos, onde esta região concentra cerca de 60% da produção nacional.
Segundo o coordenador do projeto, Antonio Manzaneda, o encontro foi um “sucesso absoluto”, caracterizado por uma programação científica do mais alto nível. Na mesma linha está Aadil Bajoub, que sublinhou como Meknès representa um observatório privilegiado da diversidade e evolução dos sistemas olivícolas marroquinos.
Num contexto marcado pelas alterações climáticas e pela crescente pressão sobre os recursos naturais, a Soil O-Live pretende construir um modelo de olivicultura mais resiliente e sustentável, capaz de garantir a qualidade e a competitividade do azeite virgem extra mediterrânico ao longo do tempo.