Seguir uma alimentação saudável e sustentável em Itália não custa o mesmo para todos, nem durante todo o ano. Isto é de acordo com pesquisa realizada pelas universidades de Pisa, Tuscia e Roma Tor Vergata, publicada na revista científica Qualidade e Quantidadeque evidencia variações significativas ligadas à sazonalidade, à idade e à área geográfica.
O estudo, baseado em mais de 326 mil inquéritos de preços recolhidos entre agosto de 2021 e março de 2024 em 107 províncias italianas, analisou o custo de vários cabazes alimentares inspirados na dieta mediterrânica. Os resultados mostram uma imagem clara: manter uma dieta equilibrada tornou-se progressivamente mais dispendiosa, com um aumento médio de preços de cerca de 20% ao longo do período de três anos.
Mais caro para uma alimentação saudável na primavera e no verão
Ao contrário do que se possa pensar, os custos mais elevados registam-se nos meses de primavera e verão. Para um homem adulto, por exemplo, a despesa mensal ultrapassa os 200 euros nos meses quentes, em comparação com cerca de 150-160 euros no outono e no inverno. Observam-se tendências semelhantes para as mulheres adultas, com valores que variam entre cerca de 130-156 euros nos meses frios e mais de 200 euros nos meses quentes.
Mesmo os idosos e os adolescentes seguem esta tendência, enquanto as crianças pequenas representam uma exceção: para eles, de facto, a alimentação é mais cara nos meses de inverno. Uma dinâmica que, segundo os investigadores, reflete necessidades nutricionais específicas e menor flexibilidade na composição da cesta alimentar.
Norte e Sul: disparidades de preços e acessibilidades
Além da sazonalidade, o estudo destaca diferenças territoriais importantes. As províncias do Norte têm preços médios e máximos mais elevados, mas no Sul o problema diz principalmente respeito aos preços mínimos: em muitas zonas do Sul, o custo mais baixo possível para uma dieta saudável é ainda mais elevado do que no resto do país.
Uma possível explicação está ligada à menor difusão do comércio retalhista em grande escala em algumas áreas do Sul, onde a concorrência é mais limitada e as economias de escala menos desenvolvidas. Isto reduz as oportunidades para os consumidores acederem a produtos a preços acessíveis.
Comer saudável custa mais (e não para todos da mesma forma)
A análise também confirma uma relação direta entre as necessidades calóricas e as despesas: à medida que a idade e as necessidades energéticas aumentam, o custo do cabaz alimentar aumenta. No geral, uma alimentação saudável pode variar aproximadamente entre 100 e 200 euros mensais por pessoa, dependendo da faixa etária.
Mas o facto mais importante diz respeito à acessibilidade: nem todos têm as mesmas possibilidades de apoiar financeiramente uma dieta equilibrada. As diferenças de preços ao longo do tempo e do espaço tornam uma dieta saudável um objectivo mais difícil de alcançar para os segmentos mais vulneráveis da população.
É também uma questão social
Os resultados do estudo sublinham como a questão da nutrição não é apenas uma questão de escolhas individuais, mas também de condições económicas e estruturais. Garantir o acesso a uma dieta saudável e sustentável, de facto, implica políticas específicas e ferramentas de monitorização eficazes, especialmente num contexto de aumento de preços.
Por outras palavras, comer bem não é apenas uma questão de educação nutricional: é cada vez mais uma questão de possibilidade económica.