A sucessão de tempestades atlânticas desde o início do ano hidrológico representa um impacto muito elevado para a olivicultura andaluza. A gravidade da situação levou o Conselho Regional a solicitar a declaração de calamidade natural para os municípios mais afectados, enquanto as organizações agrícolas estimam perdas de produção entre 20% e 30%.
Em muitas áreas da região, cerca de 450 litros de água por metro quadrado acumularam-se no espaço de poucas semanas – quantidade que representa 75% da média anual. As consequências foram devastadoras: estagnação prolongada da água, queda maciça da azeitona e graves dificuldades na conclusão da colheita.
Milhares de hectares submersos
Após a primeira avaliação de danos apresentada pelo COAG na semana passada, agora é a UPA Andalucía quem confirma a gravidade da situação. A organização agrícola documenta perdas de colheitas estimadas entre 20% e 30%, com uma parte significativa da fruta a permanecer no solo sem conseguir chegar às cooperativas e lagares.
Às chuvas torrenciais somaram-se as fortes rajadas de vento e a escassez de horas de sol, factores que aceleraram a queda precoce da azeitona e impossibilitaram o trabalho nos campos. Em muitas explorações agrícolas, as máquinas não conseguiram aceder à terra durante semanas, enquanto as estradas rurais sofreram grandes danos, complicando a colheita e o transporte da fruta.
As demandas do setor agrícola
Neste contexto crítico, a UPA apela a intervenções urgentes e concretas: ajuda direta para compensar as perdas na agricultura andaluza – considerando que entre 10.000 e 12.000 hectares permanecem completamente inundados –, redução das taxas de IRPF, apoio à reparação de infraestruturas e flexibilidade nos requisitos da PAC para evitar sanções por motivos de força maior.
As organizações agrícolas destacam também a necessidade de rever e melhorar as condições do seguro agrícola face a eventos climáticos cada vez mais frequentes e intensos.
Granada: 100 milhões de euros em prejuízos
Na província de Granada, a FAECA estima que as perdas no sector petrolífero poderão rondar os 100 milhões de euros. Um valor ao qual devemos acrescentar o impacto indirecto nos salários, no emprego nos lagares e em toda a actividade industrial conexa.
Especialistas do setor alertam que o efeito não se limitará à campanha atual: os danos às infraestruturas e aos olivais também poderão afetar fortemente as colheitas futuras.
Aumentando a vulnerabilidade a eventos extremos
Do sector destaca-se que, embora a campanha já se encontrasse numa fase avançada quando as tempestades chegaram – circunstância que mitigou um impacto potencialmente ainda maior -, a concatenação de chuvas intensas num período tão curto confirma a crescente vulnerabilidade da olivicultura a episódios meteorológicos extremos.
O olival, eixo económico e social de vastas áreas andaluzas, enfrenta assim a reta final da campanha com uma produção reduzida, um menor rendimento industrial e um impacto significativo nos rendimentos agrícolas e no emprego rural.