O vinho ainda fala aos jovens, mas com novas linguagens: qualidade, experiência, convívio e descoberta dos territórios. Isto é confirmado por um recente inquérito nacional da CREA Política e Bioeconomia, realizado junto de mais de mil consumidores italianos: 94,4% consomem vinho pelo menos ocasionalmente, 56,5% pelo menos uma vez por semana e, entre os jovens dos 18 aos 24 anos, o consumo diário ronda os 10%. É deste facto que parte a iniciativa “O vinho é jovem. Investigação, consumo consciente e novas gerações para o futuro dos territórios”promovido pelo CREA no âmbito da Calabria in Wine – Vinitaly and the City, em Sibari.
«O vinho é uma das línguas mais autênticas com que os territórios se descrevem, através do solo, do clima, da variedade e do trabalho dos produtores. Precisamos de tornar mais evidente o seu valor, especialmente para os jovens: autenticidade, sustentabilidade, biodiversidade e qualidade de experiência. A resposta aos novos cenários não é menos tradição, mas sim mais conhecimento, mais consciência e mais qualidade. E o mesmo pode ser dito do nosso extraordinário petróleo. Precisamos de uma nova abordagem para uma nova história, da investigação à comunicação, do mundo da produção às instituições, criando um sistema. É por isso que envolvemos muitos dos nossos stakeholders na Vinitaly em Sibari, começando pela região da Calábria com o Conselheiro Gallo e a ARSAC, mas também organizações profissionais, a CONAF e o mundo das associações de mulheres. Gostaria de agradecer a todos pelo entusiasmo com que participaram e pela preciosa contribuição oferecida», declara Andrea Rocchipresidente do CREA.
Com aproximadamente 44 milhões de hectolitros produzidos, quase um quinto da produção mundial, mais de 21 milhões de hectolitros exportados e mais de 520 vinhos DOP e IGP, o vinho italiano continua a ser uma das expressões mais reconhecidas do Made in Italy. Mas o futuro da cadeia de abastecimento baseia-se cada vez mais na capacidade de falar com as novas gerações sem abrir mão da identidade, da qualidade e da cultura dos limites: menos quantidade, mais valor; menos consumo indistinto, mais experiência consciente.
Investigação CREA: inovação da vinha ao copo
O CREA estuda o vinho como um sistema vivo, em que a qualidade, o território e a sustentabilidade surgem do equilíbrio entre a vinha, o solo, o clima, a biodiversidade e o conhecimento humano. As atividades de investigação vão desde a conservação e valorização das vinhas autóctones à viticultura de precisão, da inteligência artificial aos sistemas de defesa inovadores, até ao estudo do microbioma da videira e dos microrganismos benéficos do solo. O melhoramento genético também é fundamental, através do melhoramento tradicional e de técnicas de evolução assistida, para variedades mais resistentes à seca, ao calor e às doenças, capazes de lidar com as alterações climáticas, preservando ao mesmo tempo a qualidade e a identidade do património vitivinícola italiano.
Azeite virgem extra: o outro ouro verde do Mediterrâneo
A par do vinho, o CREA da Calábria in Wine dedicou um amplo espaço ao azeite virgem extra, património de biodiversidade, saúde e tradição. Com mais de 500 cultivares de azeitona, a Itália possui uma biodiversidade olivícola única no mundo: a EVO nasce do encontro entre variedade, clima, solo e competências humanas e está no centro da Dieta Mediterrânica. Na cozinha, cru ou cozido, realça sabores e aromas e, graças ao ácido oleico, à vitamina E e aos compostos bioativos antioxidantes, representa a gordura condimentar de referência numa alimentação variada e equilibrada.
Com esta iniciativa, o CREA confirma o seu papel como referência científica para a viticultura e olivicultura italiana: investigação pública, empresas, jovens e territórios juntos para transformar qualidade, sustentabilidade e conhecimento em valor competitivo para o agroalimentar Made in Italy.