A campanha olivícola 2025/2026 em Portugal termina com uma produção nacional substancialmente estável face ao ano anterior. Isto é o que emerge dos dados mais recentes da Boletim Mensal Agricultura e Pesca do Instituto Nacional de Estatística (INE) e o relatório Estado das Culturas e Previsão de Colheitas do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP) do Ministério da Agricultura e do Mar.
As duas instituições convergem para uma revisão em alta das estimativas formuladas nos últimos meses, quando a tendência sazonal sugeria uma contracção da produção. O resultado final, no entanto, situa-se em níveis semelhantes aos da campanha anterior, confirmando a resiliência do sistema oleícola português.
Alentejo, o coração produtivo do setor
Segundo o INE e o GPP, o Alentejo continua a representar o principal pólo produtor de azeite português, com cerca de 85% da produção nacional concentrada na região.
A primazia da área está ligada sobretudo ao desenvolvimento da olivicultura intensiva e superintensiva, em particular no Baixo Alentejo, onde nos últimos anos a expansão das áreas cultivadas aumentou estruturalmente a capacidade de produção do país.
O INE destaca como a maior resiliência destes sistemas de produção tem permitido compensar a alternância do olival tradicional e as perdas registadas noutras zonas do território nacional.
O modelo intensivo reduz a volatilidade da produção
O GPP sublinha também o papel estratégico da olivicultura de alta densidade na contenção da variabilidade climática e das flutuações de produção típicas dos sistemas tradicionais.
O fenómeno parece particularmente evidente no Alentejo, onde a modernização agrícola e a crescente concentração empresarial favoreceram o nascimento de uma estrutura produtiva mais estável, tecnologicamente avançada e altamente orientada para a eficiência.
As estimativas oficiais situam a produção regional entre 150 mil e 160 mil toneladas de petróleo, confirmando o peso dominante da área sobre todo o sector nacional.
Tendência desigual em outras regiões
A campanha mostrou forte heterogeneidade territorial.
No Norte do país, Trás-os-Montes concluiu a vindima sem problemas particulares, embora confirmando a já esperada quebra de produção. No Entre Douro e no Minho registaram-se, no entanto, rendimentos acima da média e azeites de elevada qualidade.
A situação é mais irregular na região Centro, onde as zonas costeiras e de transição têm alcançado melhores resultados do que as zonas interiores. Em algumas zonas, os efeitos da depressão Kristin causaram danos nos olivais, sendo necessários restauros e podas corretivas.
Crescimento no Tejo e forte recuperação no Algarve
Na região de Lisboa e Vale do Tejo, o aumento da produção face à última campanha é atribuído ao bom comportamento dos olivais tradicionais e centenários, bem como à entrada em produção de novas plantas de elevada densidade.
No Algarve, porém, o aumento acentuado da produção foi favorecido por condições pluviométricas particularmente positivas, que apoiaram sobretudo as plantas secas predominantes na região.
Alta qualidade e acabamento suave
O INE e o GPP também concordam que a campanha decorreu sem problemas operacionais particulares nos lagares, permitindo o processamento regular das azeitonas.
Os azeites obtidos apresentam, globalmente, bons parâmetros físico-químicos e organolépticos, consolidando a reputação qualitativa da produção portuguesa apesar das diferenças territoriais.
Terminada a colheita, os olivais entraram na fase de repouso vegetativo, enquanto as operações de poda são afetadas pela persistente precipitação registada nas últimas semanas. Em algumas áreas centrais e ocidentais, os fortes ventos associados à Depressão Kristin também causaram a queda de árvores, exigindo mais esforços de recuperação agronómica.