Recuperar a saúde dos solos dos olivais através do desenvolvimento de soluções inovadoras e de baixo impacto ambiental. Este é o objetivo da nova fase do projeto europeu Solo O-Liveque acaba de iniciar os testes de campo de duas tecnologias eletroquímicas numa propriedade agrícola localizada na província de Jaén, na Andaluzia.
As duas plantas piloto, instaladas na fazenda experimental de Santisteban del Puerto, funcionam inteiramente graças à energia produzida por painéis fotovoltaicos. Uma escolha de design que reduz a pegada ecológica das intervenções de recuperação e se enquadra plenamente no modelo de restauração sustentável promovido pelo consórcio internacional.
A pesquisa é liderada pelo Departamento de Engenharia Química daUniversidade de Castela‑La Mancha (UCLM) com o apoio deUniversidade de Jaén e doInstituto de Agricultura Sustentável (IAS) do CSIC, todos parceiros do projeto Soil O‑Live.
Primeiro teste: recuperar cobre de fungicidas
A primeira experiência já está operacional e avalia a eficácia do transporte eletrocinético mobilizar e recuperar o cobre acumulado no solo devido ao uso prolongado de fungicidas à base de cobre.
A técnica envolve a aplicação de campos elétricos de baixa intensidade, combinados com agentes quelantes biodegradáveis, comoEDS (etilenodiamina‑N,N’‑dissuccinato). Esta combinação aumenta a mobilidade do cobre no solo, permitindo que ele se concentre em pontos pré-estabelecidos para facilitar sua extração e posterior recuperação.
Os pesquisadores esperam obter os primeiros dados significativos no final do verão, quando será concluída a fase inicial de monitoramento do experimento.
Segundo teste: ozônio contra pesticidas orgânicos
Nas próximas semanas terá início a segunda vertente experimental, dedicada a degradação de pesticidas orgânicos usando ozônio gerado eletroquimicamente diretamente no local.
O objetivo é verificar a viabilidade técnica desta abordagem para eliminar compostos amplamente utilizados na agricultura, como glifosatopor meio de um processo de oxidação química que ocorre diretamente no solo.
O sistema produz ozono apenas quando necessário, aproveitando a energia fornecida pelos módulos fotovoltaicos. O gás é então injetado no solo para degradar os poluentes orgânicos sem gerar resíduos secundários, preservando ao mesmo tempo a biodiversidade e a funcionalidade do ecossistema do solo.
Trabalho em equipe para o futuro da olivicultura
O professor coordena as duas linhas de pesquisa Cristina Sáez Jiménezprofessor do Departamento de Engenharia Química da UCLM, apoiado por uma equipe composta por Cristina Navas Higuero, Bryan Andrés Tiban Anrango, Manuel Andrés Rodrigo e Engracia Lacasa.
Estes testes representam a fase de restauração do projeto Soil O-Live, uma iniciativa europeia que visa melhorar a saúde dos solos olivícolas através de soluções de ponta para resolver alguns dos principais problemas ambientais do setor: desde a acumulação de contaminantes persistentes até à perda progressiva de biodiversidade.
Com o início das experiências em condições reais de cultivo, o projeto dá um passo decisivo para a validação de tecnologias que poderão contribuir para uma gestão mais sustentável da olivicultura, promovendo uma produção agrícola mais eficiente e amiga do ambiente. Os resultados destes testes fornecerão indicações valiosas não só para o setor do azeite, mas também para outras culturas que enfrentam desafios semelhantes em termos de contaminação do solo.