Cada vez menos olivicultores e cada vez mais fundos de investimento no futuro da olivicultura espanhola.
É o que emerge da investigação Datadista que faz um balanço do sistema oleícola ibérico e da sua mais recente transformação.
Encontramos assim uma Espanha dividida ao meio: uma minoria tecnicizada com vantagens competitivas estruturais em contraste com um olival tradicional que sustenta o tecido rural mas que opera com custos elevados e menos acesso à água e ao financiamento.
É uma minoria, mas que absorve cada vez mais recursos. 1% dos beneficiários privados representam quase 24% da ajuda da PAC. Os grandes grupos e fundos agroindustriais recebem valores superiores a 100 mil euros, enquanto 60% dos beneficiários não ultrapassam os 5 mil euros por ano.
Empresas como De Prado, Innoliva, Elaia, Beka & Bolschare, ISFA ou Lizard Agro lideram a expansão de olivais e amendoais superintensivos, com milhares de hectares sob gestão e estruturas empresariais destinadas a atrair investimentos, aumentar a área cultivada e otimizar a fiscalidade e as ajudas.
Ao seu redor surgiram gigantes dos serviços agrícolas como Balam Agriculture, Todolivo ou Agromillora, gerindo plantações para terceiros e consolidando o modelo de “campo franqueado”.
E a opção pela concentração torna-se cada vez mais obrigatória.
O negócio do azeite caracteriza-se por um funil comercial: muitos produtores e poucos intermediários. A Mercadona concentra 20% do mercado nacional e três grandes engarrafadores (Deoleo, Acesur e Ybarra) controlam outros 32% através de marcas próprias e de produtor.
Esta estrutura pressiona as margens dos produtores, mesmo com a Lei da Cadeia Alimentar em vigor.
Um futuro nas mãos de poucos.
As vendas de terras rurais na Andaluzia atingiram quase 23.000 transações em 2024, mas apenas 10% foram financiadas com hipoteca. O restante foi conseguido com capitais não bancários, demonstrando o peso crescente dos fundos e dos grandes activos.