Jordânia vem em auxílio do azeite tunisino

Depois das especulações que afectaram intensamente o azeite Tunísia, o país do Magrebe está a obter apoio activo do mundo árabe.

Um dos desenvolvimentos mais significativos diz respeito à reabertura do mercado jordano ao azeite tunisino. O Ministério da Agricultura da Jordânia autorizou a importação de 10.000 toneladas para a campanha 2025/2026, em resposta ao acentuado declínio da produção local. Esta é uma decisão excepcional que marca o regresso oficial do produto tunisino a um mercado estratégico na região.

Segundo anunciou o embaixador da Tunísia em Amã, Moufida Zribi, o trabalho conjunto da missão diplomática e do adido comercial permitiu reactivar as redes comerciais e consolidar as exportações, envolvendo operadores públicos e privados. Desde Novembro de 2025, mais de 40 importadores jordanianos, em coordenação com o Centro de Promoção de Exportações (Cepex), visitaram fábricas de petróleo na Tunísia. As visitas levaram à assinatura de contratos iniciais para cerca de 3.000 toneladas, com um aumento acentuado das exportações entre Janeiro e Fevereiro de 2026.

O regresso ao mercado jordano insere-se num contexto de desempenho recorde das exportações tunisinas. Nos últimos dias de 2025, as vendas externas de azeite atingiram 108 mil toneladas, com um valor total de 1,379 mil milhões de dinares, segundo o Ministério do Comércio e Desenvolvimento das Exportações.

Paralelamente ao dinamismo das exportações, o governo tomou medidas para garantir o abastecimento do mercado interno e a estabilidade dos preços. A Rede Tunisina de Cooperativas celebrou um acordo com o Ministério da Agricultura, Recursos Hídricos e Pescas para a venda de azeite a instituições públicas ao preço de 11,6 dinares por litro (3,39 euros/litro), destinado a cooperativas e funcionários do sector público.

As cooperativas desempenham um papel central nesta estrutura: representam cerca de 60% das compras efetuadas pelo Gabinete Nacional do Azeite, facilitando tanto a comercialização como o apoio direto aos agricultores, como sublinhou a presidente da rede, Monir Gharbi.

O fortalecimento do sector é acompanhado por uma clara reafirmação do papel do Estado. Numa recente reunião no Palácio de Cartago, o Presidente da República Kais Saied reiterou a necessidade de recuperar o controlo público sobre sectores estratégicos como o armazenamento de azeite, a distribuição de insumos agrícolas e a gestão de recursos hídricos. O chefe de Estado denunciou práticas consideradas prejudiciais para a economia nacional e destacou a insuficiente capacidade de armazenamento do Instituto Nacional do Azeite face ao potencial de produção do país.

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