Ao estudar a oliveira, a investigadora Chaterine Breton descobriu que as oleae europeias, tal como a conhecemos hoje, derivam de onze populações diferentes provenientes tanto do leste como do oeste do Mediterrâneo. Uma série de cruzamentos que pode ser resumida em nove eventos diferentes de domesticação ao longo dos séculos.
Quantas plantas receberam tanta atenção desde os tempos antigos? A oliveira está presente no simbolismo e nos mitos desde os tempos pré-históricos, além de ser hoje um emblema de paz, força, fé, triunfo, vitória e honra.
A oliveira já é mencionada no livro de Gênesis.
A magnificência da oliveira é cantada pelos poetas do Antigo Testamento. Nas suas metáforas a oliveira simboliza a salvação e a prosperidade. O Salmo 128, ao exaltar “o homem que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos”, diz: “a tua mulher é como uma videira frutífera na intimidade da tua casa, os teus filhos como brotos de oliveira à volta da tua mesa”. O profeta Oséias canta assim a força e a beleza da oliveira: «será como o orvalho para Israel, florescerá como o lírio e criará raízes como o cedro do Líbano, os seus rebentos se espalharão e terá a beleza da oliveira e o perfume do Líbano» (Oséias 13, 6-7).
Na descrição dada no Primeiro Livro dos Reis do Santo dos Santos do templo de Jerusalém é especificado que “Salomão fez dois querubins de madeira de oliveira na cela, de dez côvados de altura… mandou construir a porta da cela com portas de madeira de oliveira… o mesmo procedimento que adotou para a porta da nave, que tinha ombreiras de madeira de oliveira” (ver 1 Reis 6, 31-33).
Quando quiseram homenagear Judite, ela foi “coroada com ramos de oliveira e precedeu todo o povo, conduzindo a dança de todas as mulheres” (Judite 15, 13).
Há aproximadamente setenta citações dele na Bíblia. O próprio nome de Jesus, Christos, significa simplesmente ungido.
Mas vamos passo a passo.
Homero nos seus poemas mencionou a oliveira: fez dela um símbolo de paz e de vida. O gigantesco tronco através do qual Polifemo foi cegado por Ulisses e seus companheiros era feito de oliveira. O rei de Ítaca construiu o leito nupcial para ele e Penélope, cavando-o no tronco de uma poderosa oliveira, símbolo de uma união forte e duradoura.
Para confirmar a história milenar da oliveira, recordamos como a tradição coloca o “Monte das Oliveiras” em frente à antiga Jerusalém.
NoGrécia antiga era considerada uma planta sagrada a ponto de quem fosse flagrado danificando-a era punido com o exílio. Nas mesmas Olimpíadas, os vencedores receberam uma coroa de oliveiras e um frasco de azeite. Em Atenas existia uma oliveira que se acredita ser a primeira oliveira do mundo, nascida da lança da própria Atena e por isso considerada sagrada e protegida por guardas.

O romanos antigosem vez disso, teciam ramos de oliveira para fazer coroas com as quais recompensar os cidadãos mais corajosos, além de que, segundo a tradição, os gêmeos divinos Rômulo e Remo nasceram debaixo de uma oliveira.
No Religião cristã a oliveira tem muitos símbolos. A partir do regresso da pomba libertada por Noé à arca com um ramo de oliveira no bico, a oliveira adquiriu um duplo significado: tornou-se o símbolo da regeneração, porque, depois da destruição causada pelo dilúvio, a terra voltou a florescer; tornou-se também um símbolo de paz porque atestava o fim do castigo e a reconciliação de Deus com os homens. Ambos os símbolos são celebrados na festa cristã das Ramos, onde a oliveira representa o próprio Cristo que, através do seu sacrifício, se torna instrumento de reconciliação e paz para toda a humanidade. Nesta perspectiva, a oliveira torna-se uma planta sagrada e o azeite que provém do seu fruto, a azeitona, também é sagrado. Na verdade, o azeite é o Crisma, utilizado nas liturgias cristãs desde o Batismo até à Extrema Unção, desde a Confirmação até à Consagração de novos sacerdotes.
O simbolismo da oliveira também se encontra nos Santos Evangelhos: Jesus foi calorosamente recebido pela multidão que agitava folhas de palmeira e ramos de oliveira; no Horto das Oliveiras passou as últimas horas antes da Paixão.
Mesmo no Tradição judaica a oliveira tem um lugar especial. Segundo a lenda, também citada no Gênesis, antes de morrer Adão enviou seu filho Sete para pedir aos querubins três sementes da “árvore do Conhecimento do Bem e do Mal”. Seth voltou com o que pediu e quando seu pai morreu, plantou as três sementes em seu túmulo, das quais nasceram um cipreste, um cedro e, aliás, uma oliveira.
Que outras árvores são comparadas no campo e no simbolismo à oliveira? Certamente a fig. Além dos cultos misteriosos, a figueira é frequentemente associada às deusas-mães e à abundância. Muito provavelmente isso se deve ao formato dos frutos, que lembram um peito túrgido. Para acentuar o simbolismo do peito, acrescentamos o fato de que um determinado líquido branco chamado “leite” escorre do figo.
A oliveira continua, entre mitos, lendas e anedotas, a animar a cultura da humanidade, antes de mais nada a cristã.
Num olival plantado durante a peregrinação de João Paulo II na Terra Santa, em 2000, apenas a árvore que foi abençoada dá frutos. O jornal Yediot Ahronot noticiou isto em 2008. No final de uma oração colectiva no Monte das Bem-Aventuranças, que domina o Lago Tiberíades, o pontífice abençoou uma oliveira oferecida por um fundo israelita para a protecção da terra.
Papa Bento XVI é indicada pelo profeta frei Malaquias (1139 d.C.) com o lema De Gloria olivae que traduzido literalmente significa “a glória da oliveira”. A referência a Bento XVI pode ser explicada pelo facto de os membros da ordem beneditina serem também chamados de Olivetanos, em cujo brasão aparece o ramo de oliveira e, mais importante ainda, o Papa Ratzinger nasceu a 16 de Abril de 1927, Sábado Santo, ponto mais significativo do período pascal que é precisamente caracterizado pelo símbolo da oliveira.
Muito mais recentemente Papa Francisco ele usou um báculo de oliveira feito por presidiários da prisão de Sanremo.
Por fim, as duas telas deste artigo são de Monet e Van Gogh.