O azeite espanhol é hoje um dos produtos alimentares nacionais mais solicitados e apreciados no Japão, onde goza de excelente reputação gastronómica. Segundo uma análise publicada pela Icex España Exportación e Informaziones, o mercado japonês oferece oportunidades significativas para os azeites espanhóis, mas o sucesso depende da capacidade de definir uma estratégia comercial sólida mas adaptável. Manter uma comunicação próxima com os importadores, saber adequar-se aos gostos locais e promover a utilização versátil do azeite – não só para temperar, mas também para cozinhar pratos japoneses e ocidentais, e até para fazer sobremesas – são passos cruciais.
Contribui também para a imagem positiva do produto a crescente difusão da cultura espanhola no Japão: a proliferação de restaurantes espanhóis, reportagens mediáticas, revistas especializadas e campanhas promocionais em centros comerciais ajudam a construir uma associação favorável ao nosso país e, consequentemente, ao seu azeite. Podemos lê-lo no estudo “O mercado do azeite no Japão”, realizado por Elena Ruiz Ramón e Mauro Rodríguez Soengas sob a supervisão do Gabinete Económico e Comercial da Embaixada de Espanha em Tóquio e publicado pela Icex.
O relatório destaca como o azeite é visto no Japão antes de tudo como um alimento saudável, e esta imagem positiva é o seu principal cartão de visita. Além disso, os japoneses deixam progressivamente de considerá-lo um produto estranho à sua alimentação diária e integram-no de formas cada vez mais variadas: como molho para salada, em receitas tradicionais japonesas ou ocidentais, e até em sobremesas.
Do ponto de vista da distribuição, o mercado está organizado principalmente através de dois sistemas. A primeira é a venda a granel, que corresponde a azeites geralmente mais baratos, destinados às famílias e distribuídos nos supermercados. Este canal é gerido por grandes tradings e distribuidores exclusivos por área geográfica. O segundo sistema é o do varejo, que diz respeito aos restaurantes de médio e alto padrão – onde o petróleo é utilizado como ingrediente premium -, ao mercado de presentes, aos shopping centers de luxo e ao comércio eletrônico. Este último canal é mais difundido, exige maior interação com cada comprador e uma presença mais enraizada em território japonês.
O estudo destaca ainda que é comum contar com um importador especializado em distribuição para lojas físicas e outro focado em vendas online. O comércio eletrônico é uma alavanca cada vez mais importante, principalmente para óleos de categoria premium, visto que as compras por meio desse meio estão em constante crescimento.
Apesar da atratividade do produto, o Japão continua a ser um mercado maduro e altamente competitivo. As negociações antes das primeiras operações comerciais geralmente demoram muito, entre seis e oito meses. Por último, um factor decisivo continua a ser o preço: o consumidor médio japonês ainda não tem um conhecimento aprofundado do azeite, pelo que o custo continua a ser uma variável determinante na decisão de compra.