As vendas do azeite espanhol estão em colapso: a culpa é das importações e do comércio retalhista em grande escala

Já nas últimas semanas algumas vozes alertaram sobre o comportamento do mercado do azeite no mês de maio. Hoje, esses receios são confirmados por dados provisórios da Agência de Informação e Controlo Alimentar (AICA), órgão dependente do Ministério da Agricultura. De acordo com as conclusões, as vendas de azeite no mês passado – excluindo as importações – pararam em pouco mais de 73,600 toneladas. Este é o nível de operação mais baixo desde o início da campanha, valor ainda inferior às médias mensais registadas na anterior campanha 2024/25.

O efeito das importações provenientes da Tunísia e de Marrocos

A explicação para esta tendência negativa reside em grande parte no estratégias de grandes empresas de embalagens industriais. Várias empresas têm efectuado compras importantes de azeite ao estrangeiro, com particular referência à Tunísia e a Marrocos, cujas cargas permaneceram bloqueadas em alguns portos e foram gradualmente libertadas no mercado. Segundo analistas, esta tendência deverá continuar, uma vez que ainda existem remessas de importação à espera de serem retiradas. O efeito global é uma pressão descendente sobre os preços e uma menor procura de petróleo interno.

A distribuição joga para baixo: ações administradas dia a dia

Neste quadro já complexo, a gota d’água que corre o risco de quebrar as costas do camelo vem do comércio varejista em grande escala. O Os centros de compras gerenciam seus estoques diariamenteadaptando os estoques à demanda real de azeite embalado, que dá claros sinais de fraqueza nas gôndolas dos supermercados. Esta estratégia evita qualquer efeito dinamizador do consumo e contribui para manter o mercado numa fase de estagnação.

Os números do orçamento no final de maio de 2026

O orçamento divulgado pela AICA em 31 de Maio de 2026 fornece uma imagem precisa da situação. O total de liberações no mês foi de 73.644 toneladas. A produção acumulada da campanha ascende a 1.297.833 toneladas. As quantidades em produção chegam a 507.250 toneladas, enquanto as dos embaladores são iguais a 278.235 toneladas. A estes somam-se 6.517 toneladas de ativos existentes, para um inventário total de 792.002 toneladas. Números que atestam uma ampla disponibilidade do produto, em nítido contraste com a atual fraca procura.

Comparação com a média da campanha segundo o MAPA

Outra confirmação da queda vem dos dados do Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação (MAPA), atualizados até 31 de maio. De acordo com esse balanço, as liberações totais desde o início da campanha atingiram 976.901 toneladas, com média mensal de 100.352 toneladas. O valor de maio está, portanto, muito abaixo da média, marcando um retrocesso significativo numa fase que prometia ser já complexa para o setor do azeite.

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