Entre todas as superstições, ou restrições, que dizem respeito à vida doméstica, uma das mais conhecidas e, de certa forma, temidas, é, certamente, aquela que proíbe, com a ameaça de atrair muitos problemas, de abra o guarda-chuva dentro de casa.
Segundo alguns estudiosos, são aquelas crenças cuja origem hoje está completamente esquecida e obscura, mas que certamente têm um significado prático de funcionalidade banal da casa: a presença de um guarda-chuva aberto no quarto, além de ser em grande parte inútil, é sempre muito incômodo.
Segundo, porém, outros especialistas em superstição, abrir guarda-chuva em casa pode até ser um risco anúncio de morteporque este gesto recordaria o dossel (guarda-chuva) com que, na liturgia apenas recentemente reformada, era usado litúrgicamente para cobrir o pároco que levava o Viático a um moribundo.
Segundo ainda outra interpretação, o guarda-chuva aberto em casa evocaria a telhado quebrado ou pior, a falta dela; seria, portanto, um prenúncio de uma miséria iminente, que poderia ser tão forte a ponto de levar também à perda da maior certeza para um homem: o seu lar.
Esse crença não é apenas italianamas que essa ação causou brigas, ou mesmo a morte de alguns familiares, também é constatado na Alemanha, Suíça, França, Inglaterra e Estados Unidos.
Bartoli sustenta que a partir do fato de que a crença de que manter o guarda-chuva aberto traz infortúnio para dentro de casa indica a ideia de que o guarda-chuva, aberto como quando usado ao ar livre para se proteger da chuva, é o agente simbólico através do qual os perigos e armadilhas que povoam o espaço externo são introduzidos no espaço doméstico. Parece estar em ação, de alguma forma, uma ideia de contaminação entre o interior e o exterior da casa, o medo do caos, da desordem causada pela travessia indevida de uma fronteira que é simbólica e magicamente tão importante como a soleira da própria casa.
É possível que uma hipótese deste tipo, se tiver fundamento, se refira certamente ao guarda-chuva como objecto de uso quotidiano, que se difundiu em Itália e na Europa em tempos relativamente recentes, ou seja, no século XVI/XVII, enquanto, como se sabe, objectos semelhantes mas destinados a uso religioso, cerimonial e simbólico já estavam presentes antes no mundo muito mais antigo.
Na Grécia antigapor exemplo, a sombrinha era objeto/atributo de diversas divindades: Afrodite, Eros, Deméter, Prosérpina; acompanhou os sacerdotes de Poseidon e as sacerdotisas de Atenas em procissão.
Em muitas civilizações do passado, este dossel foi considerado uma das mais importantes insígnias da realeza, pois tinha a função de proteger, da exposição aos raios solares, pessoas consideradas sagradas, precaução semelhante e correspondente ao tabu que exigia que as mesmas pessoas não tocassem a terra com os pés.
Em geral então, em tempos menos remotos, dizia-se que quando um guarda-chuva caísse, deveria ser recolhido por outra pessoa que não o dono, pois, caso contrário, muitos infortúnios se abateriam sobre o infeliz.
Diz-se então que, em particular, se uma mulher pegar seu guarda-chuva caído, ela continuará solteirona.
Alguns também afirmam que abrir o guarda-chuva quando está sol fará chover. Poderia ser algum tipo de “dança da chuva”?
Porém, entre as tantas crenças, nada é dito sobre o que nos ajudaria a lembrar que estratagema podemos utilizar para, como sempre acontece, não esquecer o guarda-chuva.
Felizmente é, muitas vezes, o guarda-chuva de cortesia dos hotéis, onde costumamos ficar hospedados durante as nossas feiras ou concursos, de azeite virgem extra de qualidade…
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