A natureza é capital, como a utilizamos na Itália?

O “Primeiro Relatório sobre o Estado do Capital Natural” foi publicado em Maio de 2017 no site do Ministério do Ambiente e Território, que aborda a ligação entre o estado do ecossistema, o bem-estar social e as perspectivas económicas. Esta é uma elaboração que resulta do trabalho do Comité do Capital Natural, no qual participaram nove ministérios, cinco instituições públicas de investigação, peritos científicos de diferentes disciplinas, bem como Regiões e Municípios. O relatório contém conhecimentos aprofundados sobre temas como: o estado de conservação do ar, da água, do solo, da biodiversidade, dos ecossistemas, dentro da subdivisão identificada em cinco ecorregiões terrestres (Alpina, Vale do Pó, Apeninos, Mediterrâneo Tirreno e Mediterrâneo Adriático) e três ecorregiões marinhas do Mediterrâneo (Mar Adriático, Mar Jónico e Mediterrâneo Ocidental). Um relatório que destaca como a Itália é um dos países mais ricos do mundo em biodiversidade, contando com 6.700 espécies de flora vascular e mais de 58.000 de fauna, infelizmente na presença de grandes factores de pressão antrópica como as alterações climáticas, a poluição, a construção ilegal, o desperdício de recursos hídricos, com graves danos reais ou potenciais à biodiversidade, ao solo e à paisagem.

Na classificação dos ecossistemas, dezenove deles são considerados de alto estado de conservação, dezoito de médio e trinta e seis de baixo estado. Entre estes últimos, atribuíveis a 14% da superfície nacional, os ecossistemas florestais do Vale do Pó, os das zonas costeiras e sub-costeiras, os ecossistemas ligados a ambientes de água doce e os florestais em zonas planas e montanhosas. No âmbito do Relatório, a Comissão de Redacção identifica ainda uma série de objectivos a prosseguir no curto e médio prazo, visando o fortalecimento do sistema de áreas protegidas terrestres e marítimas e a implementação das disposições relativas às chamadas “compras verdes”, realizando também uma avaliação dos custos para a comunidade decorrentes do consumo de recursos naturais e da poluição.

Por ocasião da apresentação do relatório, o comentário do Ministro do Meio Ambiente Gianluca Galletti, segundo o qual, “este Relatório não é apenas o resultado de um grande compromisso científico para ‘medir’ o nosso capital mais precioso, mas é também um grande salto na qualidade cultural que se pede ao país: associar ao ambiente italiano não só a palavra ‘conservação’, mas também a ideia de que o verdadeiro desenvolvimento só pode ser determinado com uma gestão correcta dos nossos recursos naturais. o mais recente Documento Económico e Financeiro reforça ainda mais a visão de um país que sabe que pode crescer concentrando-se no seu património único de biodiversidade, recursos naturais e ecossistemas.”

Por último, a Comissão identificou um conjunto de recomendações, com objectivos a prosseguir no curto e médio prazo: adoptar um plano de acção para o Capital Natural, torná-lo central na preparação das medidas do DEF (Documento Económico e Financeiro) e do PNR (Plano Nacional de Reformas), em coerência com os objectivos da Agenda 2030 e da Estratégia de Desenvolvimento Sustentável, integrá-lo na contabilidade pública e na contabilidade privada, reforçar o sistema de áreas protegidas terrestres e marítimas, implementar as disposições relativas às chamadas “contratações verdes”, incluindo nas avaliações os custos para a comunidade decorrentes do consumo de recursos naturais e da poluição.

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