Campos e contracampos. Como a agricultura é representada no cinema?

Mais fotos ou fotos reversas? Ou seja, quanta agricultura existe na história do cinema italiano? Foi discutido hoje em Roma, na sede da Confcooperative no Palazzo Alicorni, durante uma iniciativa promovida pela Fedagri-Confcooperative em colaboração com o Sindicato Nacional dos Críticos de Cinema Italianos, na qual também participou o Vice-Ministro de Políticas Agrícolas Andrea Olivero. Uma oportunidade de aproximar dois mundos, o do cinema e o da agricultura, que, embora aparentemente distantes, muitas vezes se tocaram. Olhando mais de perto, o cinema italiano está em dívida com a agricultura e o mundo camponês, que muitas vezes serviu mais como pano de fundo para as histórias contadas do que como protagonista.

Certamente não faltam felizes exceções: a linha de documentários comemorativos sobre a recuperação de terras e a agricultura do século XX, aqueles sobre atividades camponesas realizados na década de 1950, documentários etnográficos e depois Povo do Pó de Michelangelo Antonioni, Arroz Amargo, Fontamara, A Árvore dos Tamancos, Padre Mestre. Grandes filmes que serviram de contraponto a acontecimentos que preocupam mais frequentemente a classe trabalhadora, a classe baixa urbana, a classe operária.

La Risaia, Terra Madre, Le Quattro Volte, Focaccia Blues, são apenas alguns dos títulos escolhidos como fio condutor de imagens e mensagens densas e significativas sobre os valores do mundo rural, sobre a relação com a natureza, sobre a alternância das estações, bem como sobre a importância do esforço e do trabalho humano. Uma obra que é sobretudo um esforço colectivo, como nas imagens corais das fases de construção dos silos para conservar as reservas de cereais para o inverno retiradas do filme Witness – The Witness de Peter Weir, título que alarga o horizonte aos grandes espaços celebrados pela produção americana.

Poderia haver uma redescoberta e um retorno à agricultura também no cinema? Um sinal nessa direção vem do filme Na graça de Deus, do diretor salentono Edoardo Winspeare, que conta a história de uma família oprimida pela crise que redescobre a riqueza e o potencial da terra. Bem como o Prêmio Especial As Maravilhas do Grande Júri no último Festival de Cinema de Cannes.

O encontro contou com a presença da atriz Francesca Cavallin, da crítica de cinema Angela Prudenzi e da gerente da rede de lojas cooperativas Fedagri Quidanoi Rossana Turina. A iniciativa Campi e contracampi inaugurou a série de eventos “O Tapete Verde – Aperitivos da Fedagri”. “O protagonista de todo aperitivo – explica o presidente da federação agrícola Giorgio Mercuri – será sempre de alguma forma a agricultura, que será discutida, como esta noite, com muitas vozes e com o apoio de sugestões e linguagens artísticas como a do cinema”.

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