O salto na produção de azeite no Chile, mas as exportações caem em valor

A campanha de 2025 do setor do azeite chileno foi uma das mais dinâmicas da última década, caracterizada por uma robusta recuperação da produção e um contexto internacional finalmente favorável após dois anos de contração global. De acordo com o relatório anual da ChileOliva, elaborado com dados do Serviço Nacional de Alfândegas, ODEPA – CIREN e do Conselho Oleícola Internacional (COI), o país atingiu uma produção total de 20.000 toneladas de azeite, registando um aumento de 33% em relação a 2024.

As condições climáticas favoráveis ​​nas principais regiões olivícolas (Metropolitana, Maule e O’Higgins, que sozinhas representam 72% da área cultivada) e a eficiência dos pomares superintensivos permitiram esta recuperação. O Chile mantém 19.692 hectares plantados, com predominância da variedade Arbequina (61%), seguida pela Arbosana (22%) e outras variedades mediterrâneas.

Um mercado global em rápida expansão

A nível global, a produção 2024/2025 atingiu 3.572.000 toneladas, com um aumento de 38% face à campanha anterior, impulsionada pela recuperação extraordinária de Espanha (+66%), Turquia (+135%) e Tunísia (+55%). Neste cenário, o Chile representa 0,6% da produção mundial, confirmando-se como um produtor emergente de alta qualidade.

Exportação: o paradoxo dos volumes

O setor exportador apresentou uma tendência mista. Por um lado, o Chile embarcou 17.737 toneladas para o exterior, um aumento de 27,9% em relação a 2024. Por outro lado, o valor FOB total desabou 23,8%, atingindo US$ 99,9 milhões. A causa é a normalização dos preços internacionais após dois anos de escassez global.

A estrutura exportadora continua altamente concentrada: os Estados Unidos e o Brasil absorvem 69% do volume total. O primeiro recebeu 8,3 milhões de quilos (46,9% do total) ao valor unitário de US$ 5/kg FOB. O Brasil, apesar de ter 3,85 milhões de quilos (21,7%), obteve o melhor preço entre os grandes compradores: 7,9 dólares/kg FOB. Espanha (12,4% do volume), Portugal (7,9%) e Itália (2,6%) completam a lista de mercados relevantes, com valores unitários entre 4,7 e 4,9 dólares/kg.

Graças a esses resultados, o Chile ficou em 10º lugar no mundo entre os países exportadores na campanha 2024/2025, segundo o COI.

Importações em declínio, mercado interno estável

O mercado interno apresentou tendência moderada. Em 2025, o Chile importou 5.287 toneladas, 13% menos que em 2024, com uma queda de 48% no valor CIF (25,1 milhões de dólares). A redução se deve à maior disponibilidade de petróleo nacional e à estabilização do consumo interno.

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