Golpes de azeite na Alemanha são cada vez mais importantes. E na Itália?

O azeite está entre os produtos simbólicos da dieta mediterrânica e uma das gorduras alimentares mais apreciadas no mundo. No entanto, por trás da imagem de qualidade e tradição esconde-se uma realidade cada vez mais complexa: os casos de fraude e contaminação aumentaram significativamente nos últimos anos, suscitando preocupações entre especialistas e autoridades de supervisão.

Cada vez mais casos de óleo adulterado

De acordo com análises realizadas pelo laboratório alemão CVUA Stuttgart, mais de 500 amostras de azeite foram examinadas no período de dois anos 2024-2025. Os resultados são preocupantes: cerca de 40% dos produtos apresentavam irregularidades, com aumento significativo de casos de rotulagem enganosa.

Particularmente alarmante é o crescimento das adulterações reais. Em 2025, descobriu-se que 11% dos azeites rotulados como “extra virgem” eram falsificados. Em muitos casos, tratava-se de óleos de qualidade inferior ou mesmo de óleos impróprios para consumo, disfarçados para parecerem produtos de alta qualidade.

A técnica mais difundida consiste na mistura com óleos mais baratos, como o óleo de girassol, por vezes já oxidado, aos quais são adicionados corantes e aromatizantes para imitar o aspecto e o sabor do azeite.

Vendas suspeitas e canais menos controlados

A fraude surge frequentemente em contextos específicos: grandes embalagens de 5 litros, vendas através de pequenos retalhistas, restaurantes ou plataformas online. Canais em que os controlos são menos rigorosos do que no comércio retalhista em grande escala.

Não apenas fraude: o problema da contaminação

Além das adulterações, cresce também a atenção para a presença de contaminantes químicos. Entre estes, MCPD e ésteres de glicidol, substâncias que se formam durante os processos de refino, e hidrocarbonetos de óleos minerais (MOSH e MOAH).

Se os primeiros foram por vezes detetados para além dos limites legais, são sobretudo os MOAH que suscitam maior preocupação, por serem considerados potencialmente cancerígenos. Em algumas amostras de óleos de bagaço, os níveis encontrados ultrapassaram em muito os valores de referência, tornando os produtos impróprios para consumo humano.

Óleo de bagaço em destaque

Os óleos de bagaço – obtidos a partir de resíduos do processamento da azeitona – estão particularmente expostos a este tipo de contaminação, devido aos processos industriais mais intensivos necessários à sua produção. Todas as amostras analisadas neste segmento foram consideradas não conformes.

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