Castela-La Mancha consolida o seu papel como potência mundial na olivicultura. De acordo com os últimos dados do Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação espanhol, a região atingiu quase 474.000 hectares do olival, colocando-se em segundo lugar no mundo em termos de superfície dedicada a esta cultura, superando o seu histórico rival italiano, Puglia, que fica abaixo dos 350.000 hectares. Diante de todos, a Andaluzia permanece.
Mas não é apenas uma questão de números. Pela primeira vez, o olival ultrapassou em dimensão a vinha, historicamente o rei da agricultura local. Uma ultrapassagem simbólica que redesenha a face do sector primário na comunidade, conferindo ao azeite o papel de protagonista indiscutível da economia agrícola regional.
Um setor estratégico integral
A importância deste crescimento foi sublinhada por Julián Martínez Lizán, vereador da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural de Castela-La Mancha, que discursou na inauguração do Congresso Mundial do Azeite, em Lisboa. Martínez Lizán definiu a olivicultura como um “setor estratégico”, não só pela sua contribuição para o PIB agrícola, mas também pelo seu impacto social e ambiental.
O sector, explicou, apoia directamente 83.000 famílias dos olivicultores e constitui um baluarte contra o despovoamento das zonas rurais, contribuindo para a conservação da paisagem e o combate às alterações climáticas. No entanto, alertou: o aumento da superfície terá de ser acompanhado de investimentos em inovação e tecnologia para enfrentar os desafios agroclimáticos, geopolíticos e comerciais dos próximos anos.
Números recordes e peso nacional
A última campanha do azeite também trouxe satisfação ao nível da produção. Castela-La Mancha produziu efectivamente 138.333 toneladas de azeite, com um aumento de 18,6% em comparação com a média da última década. Um resultado que vale o território 10,7% de toda a produção espanhola, consolidando a sua posição entre as principais bacias produtivas do país.