A campanha de azeite da Tunísia 2025-2026 promete ser positiva com uma produção inferior a 400 mil toneladas, representando ainda um recorde histórico.
As exportações já registaram uma aceleração significativa: segundo a ONAGRI, foram exportadas 184,3 mil toneladas entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, um aumento de 49,6% face ao mesmo período do ano anterior.
As receitas ultrapassaram os 2,263 mil milhões de dinares, confirmando o papel crucial do azeite na balança comercial do país.
No entanto, por trás destes resultados reside uma criticidade persistente: a prevalência das exportações a granel, que representam aproximadamente 88,5% dos volumes, em comparação com apenas 11,5% dos produtos embalados. É precisamente neste último segmento – juntamente com marcas, certificações e posicionamento de qualidade – que se joga o desafio da criação de valor.
A Ordem dos Engenheiros Tunisinos (OIT) lançou uma grande investigação nacional com o objetivo de definir um roteiro operacional para o relançamento do azeite.
Realizada em colaboração com a Comissão Parlamentar de Agricultura, a iniciativa visa recolher questões e propostas críticas ao longo de toda a cadeia de valor: da produção à transformação, do armazenamento ao embalamento, até à exportação e posicionamento em segmentos de maior valor acrescentado.
Um setor-chave ainda em desaceleração
Apesar do seu papel central na economia tunisina e de uma presença consolidada nos mercados internacionais, o setor continua a sofrer de fragilidades estruturais. Estes incluem a fraca valorização do produto embalado, a forte dependência das exportações a granel, a volatilidade dos preços e as deficiências logísticas e infra-estruturais.
A pesquisa é dirigida a engenheiros, especialistas e operadores do setor, chamados a contribuir com análises e recomendações para construir uma visão mais coerente e competitiva da cadeia de abastecimento.
A actual campanha oferece à Tunísia uma oportunidade estratégica: transformar o desempenho quantitativo numa vantagem competitiva duradoura. Com volumes tão elevados, a prioridade já não é aumentar a produção, mas sim valorizar melhor a origem, desenvolver o orgânico, reforçar o posicionamento premium e aumentar a quota de produto embalado.