As frutas e legumes devem sair do departamento para crescer ou integrar novas categorias de produtos e lógicas de consumo, construindo uma troca mútua de valor com outros setores agroalimentares. É nesta linha que hoje se joga uma parte decisiva da competitividade futura do sector: não só a produção e a qualidade, mas a capacidade de participar nas escolhas alimentares diárias de uma forma mais estruturada.
É a estratégia que norteia a ação da La Grande Bellezza Italiana, a rede de empresas que reúne algumas das principais cadeias italianas de abastecimento de frutas e vegetais e que trabalha para construir um modelo capaz de ampliar as oportunidades de consumo e fortalecer o papel dos produtos frescos na oferta varejista. E é precisamente esta a mensagem – acompanhada de projetos concretos – que deu origem à Macfrut.
No primeiro dia, o destaque estará nos produtos Fucino, nomeadamente a Batata Fucino IGP e a Cenoura Fucino IGP, apresentados através da ligação entre território, história agrícola e utilização na cozinha. No segundo, graças à colaboração com Roncadin e RoncaLab para a pizza radicchio Verona IGP, foi dado espaço a um exemplo concreto de como uma produção distintiva de frutas e vegetais pode se tornar um ingrediente qualificado em um produto com alto conteúdo de serviço. O terceiro dia destacou a massa Stigliano e o tomate Apuliano, combinando uma massa com mais de 200 anos de história com um dos produtos simbólicos do agroalimentar Made in Italy.
Da matéria-prima à solução para o consumidor
Por si só, mesmo frutas e legumes de qualidade correm o risco de permanecer confinados ao consumo subdesenvolvido. Para crescer, deve fazer parte de propostas mais completas, onde origem, serviço e facilidade de uso se integrem de forma coerente. Nesta lógica, as colaborações com a indústria agroalimentar representam um passo fundamental: a inclusão de ingredientes distintivos de frutas e vegetais em produtos com elevado conteúdo de serviço demonstra como os produtos típicos podem tornar-se alavancas concretas de diferenciação mesmo fora do departamento.
O tema também foi aprofundado no workshop “Conquistando barrigas”, que aconteceu na quarta-feira, 22 de abril, com a participação de Paola Bertin, Coordenadora de Marketing e Comunicação da Roncadin, Stefano Di Noia, Gerente de Vendas do RoncaLab, e Pietro Terlingo da Coop Alleanza 3.0.
O papel do comércio varejista em grande escala
Para a distribuição moderna, esta abordagem abre um espaço estratégico. As frutas e legumes podem evoluir de uma categoria simples para uma alavanca transversal, capaz de comunicar com outras categorias de produtos e gerar novas oportunidades de compra. Significa trabalhar em sortimentos mais integrados, em propostas que combinem qualidade e serviço e numa valorização mais legível da origem e da sazonalidade, com efeitos diretos nas rotações e nas margens.
La Grande Bellezza Italiana foi criada justamente para dar força comercial e narrativa a produções que, individualmente, podem encontrar dificuldades para atingir os volumes exigidos pelas políticas de sortimento das marcas.
“Nosso objetivo é fomentar alianças entre empresas de frutas e vegetais e outros protagonistas da indústria agroalimentar para valorizar o Made in Italy e tornar o valor dos nossos produtos mais compreensível”, declara Leonardo Odorizzi, Gerente de Estratégia da La Grande Bellezza Italiana. “Hoje competimos por ações de barriga e porções de atenção. Por isso devemos superar as divisões entre empresas e oferecer soluções de distribuição que falem claramente ao consumidor”.
“O ponto forte da rede é se apresentar ao grande varejo com uma proposta baseada na qualidade, sazonalidade e reconhecibilidade – acrescenta Odorizzi – Podemos contribuir para a qualificação do departamento, mas também para a construção de novas conexões com outras categorias, agregando valor ao longo de toda a cadeia de fornecimento”.
Construindo consumo, não apenas produto
Isto provoca uma mudança de paradigma para frutas e vegetais italianos. “O Macfrut 2026 nos dá uma confirmação importante – conclui Leonardo Odorizzi – a agricultura italiana tem um patrimônio extraordinário, mas hoje não basta cultivar bem. Precisamos criar produtos diferenciados, construir relacionamentos, contar o valor dos territórios e transformá-lo em propostas concretas para o mercado”.