Um grupo de investigadores da Universidade de Jaén, coordenado pela professora de Microbiologia Magdalena Martínez Cañamero, venceu a VIII edição do Prémio Internacional Castillo de Canena de Investigación Oleícola ‘Luis Vañó’ graças a um estudo que investiga os efeitos do azeite virgem extra na saúde intestinal. O trabalho centra-se em particular na ação dos polifenóis e compostos minoritários presentes no azeite virgem extra e no seu impacto na microbiota.
A investigação destaca diferenças significativas entre o azeite virgem extra e o azeite refinado, sublinhando como os processos industriais reduzem drasticamente a presença de compostos bioativos. Segundo Martínez Cañamero, são justamente os polifenóis que exercem uma ação antimicrobiana seletiva, capaz de modular o equilíbrio dos microrganismos intestinais. Este mecanismo favorece o crescimento de bactérias nativas, em harmonia com a fisiologia humana, e limita a proliferação de espécies oportunistas associadas a processos inflamatórios.
O estudo destaca, portanto, como o azeite virgem extra não representa apenas uma fonte de gorduras saudáveis, mas um alimento com efeitos funcionais no organismo, capaz de influenciar diretamente o ecossistema intestinal. Os resultados contribuem para enriquecer o panorama científico sobre os benefícios da dieta mediterrânica, reforçando o papel central do azeite de elevada qualidade.
O prémio, promovido pela empresa Castillo de Canena em colaboração com a própria Universidade de Jaén e o UC Davis Olive Center, visa incentivar a investigação científica e tecnológica no sector oleícola. Com uma dotação de 6.000 euros, o reconhecimento é atribuído de dois em dois anos a estudos capazes de ampliar o conhecimento sobre o valor nutricional e sanitário dos azeites.
Ao comentar o resultado, os promotores do prémio sublinharam a importância de apoiar o trabalho da comunidade científica, destacando como a investigação deste tipo contribui para consolidar a ligação entre a tradição agrícola e a inovação no domínio da saúde.