A Grécia enfrenta uma das maiores mobilizações agrícolas dos últimos anos. Agricultores, pecuaristas, apicultores e pescadores bloquearam na semana passada autoestradas, estradas estratégicas e passagens de fronteira com a Bulgária e a Turquia em protesto contra o atraso no pagamento de subsídios, os baixos preços ao produtor e o aumento dos custos de produção. Entre os setores mais afetados e mobilizados está o setor do azeite.
De Creta ao norte do país, colunas de tratores bloquearam as principais estradas e alfândegas.
Os olivicultores alertam para uma disparidade de preços: enquanto na Grécia o quilo virgem extra ronda os 4,50 euros em regiões de produção como Chania, Mesénia ou Lacónia, em Itália ronda os 7,50 euros e na Albânia chega aos 8-9 euros, segundo dados da Comissão Europeia. Em Espanha o preço continua abaixo dos 5 euros por quilo.
A agitação intensificou-se após o escândalo Opekepe envolvendo o alegado desvio de ajuda para beneficiários inelegíveis. O governo garantiu que “os verdadeiros agricultores receberão tudo o que é deles”.
Além do atraso nos pagamentos, o setor relata um cenário estrutural crítico: aumento dos custos de combustíveis, fertilizantes e energia, preços baixos na origem e um grave problema demográfico. 65% dos agricultores têm mais de 55 anos, 40% têm mais de 65 anos e o país necessitará de cerca de 200.000 jovens agricultores para sustentar o negócio nos próximos anos.