A cooperativa agroalimentar espanhola Dcoop suspende, pelo menos por enquanto, o seu plano de adquirir o controlo total da Pompeian, principal marca de azeite do mercado norte-americano. A informação foi confirmada pelo presidente do grupo, Antonio Luque, em declarações divulgadas esta semana ao jornal espanhol Córdoba.
A Dcoop já detém 50% da empresa norte-americana há mais de uma década, depois de ter lançado inicialmente uma colaboração estratégica que permitiu à cooperativa entrar no mercado americano numa fase em que o consumo de azeite começava a consolidar-se no exterior. No verão passado, o grupo anunciou a intenção de adquirir a restante participação, num movimento considerado consistente com a estratégia de fortalecimento e concentração industrial perseguida há anos.
No entanto, a mudança do cenário internacional está atrasando a operação. A incerteza ligada à política comercial dos Estados Unidos, marcada nos últimos meses pelo anúncio e retirada de possíveis tarifas e medidas protecionistas por parte do Presidente Donald Trump, tornou menos conveniente novos investimentos no mercado norte-americano.
Operação adiada para médio-longo prazo
A possível aquisição total de Pompeian permanece em cima da mesa, mas não imediatamente. Segundo Luque, a principal questão diz respeito à possibilidade de continuar a comercializar nos Estados Unidos o petróleo produzido em Espanha num contexto potencialmente penalizado por novas sanções ou tarifas aduaneiras.
“Nesta situação decidimos esperar, porque não sabemos se conseguiremos vender produtos espanhóis”, explicou o presidente da Dcoop. A ideia de comercializar azeites de outros países, como a Tunísia ou o Chile, sob a marca Pompeiana, não representa de facto uma solução aceitável para a cooperativa.
De momento, portanto, a compra dos 50% ainda não detidos pela Dcoop está adiada por tempo indeterminado. Mesmo que o contexto comercial melhorasse, a operação ainda exigiria novas condições favoráveis, a começar pela disposição do atual sócio em vender sua participação.
“Não será questão de poucos dias”, concluiu Luque, sublinhando que será necessário esperar por um período de maior estabilidade antes de avaliar um possível novo passo no sentido do controlo total da marca norte-americana.