O mercado de azeite dos EUA vive uma fase de profunda reconfiguração. Enquanto os grandes produtores europeus, Espanha e Itália na liderança, sentem o aperto dos novos direitos impostos pela administração Trump, países terceiros como Marrocos e Tunísia aproveitam a situação para conquistar espaços cada vez maiores nas prateleiras americanas.
O caso mais marcante é o de Marrocos. Segundo dados citados pelo jornal espanhol COMOAs exportações de azeite marroquino para os Estados Unidos aumentaram 148% nos primeiros meses de 2026, atingindo aprox. 3.000 toneladas. Um crescimento de dois dígitos que, embora partindo de uma base produtiva reduzida, começou a suscitar suspeitas nos operadores do sector, numa altura em que o mercado americano dá sinais de contracção generalizada.
A vantagem competitiva de Marrocos reside principalmente num factor tarifário. Enquanto a União Europeia enfrenta uma tarifa de 15% sobre as suas exportações, Rabat beneficia de uma taxa de 10%considerada a tarifa mínima aplicada pela administração norte-americana. Um diferencial que, aliado a uma qualidade cada vez mais valorizada, torna o petróleo marroquino cada vez mais atrativo para os importadores da Stars and Stripes.
Tunísia avança, Itália recua
A Tunísia também vive uma dinâmica positiva, com um aumento de 47% e volumes próximos de 60.000 toneladasposicionando-se como um concorrente muito mais significativo do que Marrocos em termos quantitativos. No entanto, Tunes tem de lidar com tarifas mais elevadas do que as aplicadas em Rabat, o que poderá retardar a sua expansão.
O quadro geral, porém, é menos animador para os líderes tradicionais do sector. As importações globais de azeite para os Estados Unidos registaram um declínio de 9% nos primeiros meses do ano, atingindo 142 mil toneladas. Um facto que esconde desempenhos muito diferentes entre os vários fornecedores. O’Itália sofreu um verdadeiro colapso, com as vendas caindo 40% rumo ao seu principal mercado de referência. Lá Espanhaembora mantendo a sua posição como principal fornecedor, tem repetidamente alertado sobre os efeitos negativos das barreiras alfandegárias, que estão a minar a rentabilidade das suas exportações.
O domínio espanhol não está em questão (por enquanto)
Apesar da crescente pressão dos concorrentes, a liderança espanhola continua indiscutível. Com 113.085 toneladas exportado entre outubro de 2025 e março de 2026, Madrid mantém uma posição dominante nos supermercados americanos. No entanto, o valor marca uma descida de 12,5% face ao mesmo período anterior, um alerta que os operadores ibéricos interpretam como um sinal de uma mudança histórica na balança comercial do sector.
Para Marrocos, a situação actual representa mais do que apenas uma oportunidade: é uma montra estratégica. O reino ainda não tem volumes para minar os gigantes mediterrânicos, mas está a construir, gota a gota, uma presença sólida e crescente num mercado que, apesar das flutuações económicas, continua entre os mais dinâmicos do mundo. O desafio nos próximos anos será transformar este “crescimento assustador” em crescimento estrutural, capaz de se manter quando as condições tarifárias voltarem a ser mais equilibradas.