As cooperativas contestam o ministério quanto às estatísticas do azeite espanhol

A recente evolução dos dados do mercado do azeite reabriu o debate sobre a fiabilidade das estatísticas oficiais em Espanha. A polémica foi desencadeada pelas Cooperativas Agro-alimentarias de España, que manifestaram fortes reservas relativamente aos dados relativos aos stocks do final de maio, publicados pelo Ministério da Agricultura, Pescas e Alimentação (MAPA). De acordo com os números inicialmente divulgados pelo ministério, os estoques totais das usinas em 31 de maio eram de 507.250 toneladas. A cooperativa alertou de imediato que, caso se mantenha o ritmo médio de saídas da campanha – acima das 100 mil toneladas mensais – o mercado poderá iniciar a próxima campanha com níveis de disponibilidade praticamente esgotados.

O comportamento anômalo dos engarrafadores

A Cooperativas Agro-alimentarias sublinha que durante o mês de Maio os stocks nos lagares foram reduzidos em 92.522 toneladas, tendência que se julga coerente com o ritmo habitual de comercialização nesta fase da campanha. No entanto, o que desencadeou o alarme foi o comportamento invulgar de outros elos da cadeia de abastecimento, em particular dos operadores de engarrafamento. Segundo dados ministeriais, estes teriam registado um aumento de 23.540 toneladas num só mês, passando de 254.695 toneladas no final de Abril para 278.235 toneladas no final de Maio. Um aumento considerado “sem precedentes” pelo setor, que solicitou imediatamente verificações aprofundadas.

O pico do petróleo refinado fora de qualquer norma

Um dos pontos mais contestados pela organização foi o aumento da existência de azeite refinado, que cresceu 22.304 toneladas face ao mês anterior, atingindo 38.795 toneladas. As Cooperativas Agro-alimentarias salientaram que as variações mensais neste segmento nunca ultrapassam as 4.000 toneladas e que, nas últimas quatro campanhas, os valores se mantiveram sempre abaixo dos níveis agora divulgados. Estes dados, segundo a organização, estão decididamente fora das margens habituais do mercado, tornando essencial uma reconsideração global do sistema de inquérito.

O pedido de revisão do sistema SIMO

Perante esta situação, a organização cooperativa transmitiu formalmente ao MAPA a sua preocupação com a falta de coerência entre os dados oficiais e a realidade operacional do mercado, nomeadamente no que diz respeito à evolução dos stocks nas fábricas e engarrafadoras. As Cooperativas solicitaram a revisão exaustiva da informação prestada pelos operadores engarrafadores ao Sistema de Informação do Mercado do Azeite (SIMO), bem como a realização de verificações físicas da existência in loco nas empresas, para verificar a veracidade dos dados declarados. Um pedido que representa um verdadeiro desafio à transparência do actual sistema estatístico.

A correção do Ministério e os novos números

Após pressão da indústria, o MAPA teve que recuar. Os dados finais ajustados reduziram as quantidades declaradas pelos engarrafadores para 261.498 toneladas, com uma correção em baixa de 16.740 toneladas face ao valor inicial. Os estoques totais nas usinas também foram ligeiramente ajustados, passando para 506.972 toneladas. Apesar da correção, a Cooperativas acredita que o episódio evidenciou uma fragilidade estrutural do sistema de detecção e continua pedindo a realização de verificações aleatórias nas empresas para restaurar a confiança.

O pedido de regulação de abastecimento para a campanha 2026/2027

Além de verificar os dados, a organização solicitou ao Ministério que activasse para a campanha 2026/2027 o mecanismo de regulação da oferta previsto na legislação comunitária e desenvolvido em Espanha com o Real Decreto 84/2021. Neste sentido, as cooperativas defendem o início do procedimento regulamentar necessário à aprovação de uma portaria ministerial que regule as regras de comercialização. Trata-se de uma ferramenta já avaliada na campanha anterior – embora nunca aplicada – e agora considerada fundamental para garantir a estabilidade do mercado e a gestão equilibrada da oferta no setor do azeite, evitando que polémicas estatísticas como a de maio possam minar a confiança dos operadores.

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