Chuva fria para o setor do azeite espanhol após a divulgação dos últimos dados provisórios da Agência de Informação e Controlo Alimentar (AICA). Em Abril, a produção petrolífera fixou-se nas 93.664 toneladas, sem considerar as importações, estimadas em cerca de 20 mil toneladas, em linha com os meses anteriores. A confirmarem-se os dados, o volume global rondaria, portanto, as 120 mil toneladas, muito abaixo das 141 mil toneladas registadas em Março e das cerca de 135 mil toneladas dos meses anteriores.
Uma desaceleração que ainda não representa um sinal de alarme para todo o setor, mas que está a ser observada com crescente atenção pelos operadores, sobretudo pelo efeito no aumento dos stocks. Os estoques nas engarrafadoras passaram de 238 mil para 254.326 toneladas, indicando um ritmo mais lento de absorção do produto no mercado.
Segundo muitos analistas, a base do abrandamento das vendas espanholas é a crescente concorrência da Tunísia e de Marrocos, que aumentam as suas exportações tanto para a Europa como, sobretudo, para os Estados Unidos, um mercado estratégico para o sector ibérico.
As atenções do setor agora estão voltadas para o desempenho dos próximos meses. Algumas estimativas prevêem produções entre 100.000 e 105.000 toneladas por mês, um cenário que levaria a uma ligação ao país superior a 330.000 toneladas.
Ao mesmo tempo, no plano agrícola, as dúvidas sobre a próxima colheita parecem agora estar resolvidas. As perspectivas para a campanha 2026-27 são consideradas muito positivas, com uma disponibilidade global estimada em cerca de 2,1 milhões de toneladas, resultado da soma de 330 mil toneladas de stocks transitórios e de uma produção prevista de cerca de 1,8 milhões de toneladas.
Neste contexto, o mercado prepara-se para semanas caracterizadas por oferta abundante, procura mais fraca e forte instabilidade de preços.
Segundo dados de abril, a produção acumulada da campanha atingiu 1.294.590 toneladas. Os stocks finais ascendem a 863.340 toneladas, das quais 600.270 armazenadas nos lagares, 254.326 nos engarrafadores e 8.744 toneladas na posse do Património Municipal do Azeite (PCO).