O Senado espanhol volta a atenção para a olivicultura tradicional. A Comissão da Agricultura, Pecuária e Alimentação aprovou por unanimidade uma moção apresentada pelo Partido Popular que insta o Governo a adoptar um amplo pacote de medidas para garantir a sustentabilidade económica do sector.
A iniciativa pretende reconhecer as especificidades do olival tradicional, caracterizado por custos de produção mais elevados, menos mecanização e maior utilização de mão-de-obra comparativamente aos modelos intensivos e superintensivos.
Entre as medidas solicitadas está o tratamento diferenciado no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC), com ajudas específicas que potenciem o papel económico, social e ambiental da olivicultura tradicional. A moção propõe ainda uma redução da carga tributária, também por meio de correções nos formulários do Irpef para compensar o aumento dos custos de produção.
Estão também previstas ajudas diretas, especialmente para empresas localizadas em zonas com dificuldades naturais ou em risco de abandono, bem como investimentos em infraestruturas hídricas e na eficiência da utilização da água para contrariar os efeitos da seca.
O texto aprovado apela então a um reforço dos mecanismos de regulação e transparência do mercado do azeite, com o objetivo de limitar a volatilidade dos preços que penaliza os produtores. Há também espaço para a promoção do azeite virgem extra proveniente dos olivais tradicionais, valorizando a sua qualidade, sustentabilidade e contributo para o desenvolvimento do meio rural.
A moção inclui ainda medidas de apoio à modernização tecnológica das empresas sem distorcer o seu modelo de produção e maior controlo sobre as importações de petróleo de países terceiros, para garantir o cumprimento dos padrões de qualidade e evitar a concorrência desleal.
Durante o debate, a senadora Mariola Aranda destacou o “caráter específico” da olivicultura tradicional e os seus “problemas estruturais” em comparação com sistemas mais mecanizados. O senador socialista José Latorre partilhou também a necessidade de um apoio reforçado ao sector, sublinhando que “o olival tradicional tem limites à mecanização e necessita de mais mão-de-obra”.
A Comissão aprovou também uma segunda moção, novamente proposta pelo Partido Popular, relativa à aplicação da legislação europeia sobre contaminantes de hidrocarbonetos aromáticos de óleos minerais em azeite. O documento solicita que a Espanha aplique o quadro comunitário sem introduzir requisitos adicionais mais restritivos do que os previstos pela União Europeia.
Segundo o deputado Javier Marcos, a regulamentação excessiva em comparação com outros países produtores, como a Itália e a Grécia, pode levar a um aumento dos custos e à perda de competitividade do sector petrolífero espanhol. Também neste caso o PSOE manifestou o seu apoio à moção, lembrando que a legislação europeia representa “um quadro único com critérios comuns” para todos os Estados-membros.