De acordo com o relatório da DG Comércio da UE, em 2024 o valor das exportações italianas de produtos do setor agroalimentar para o Mercosul foi de quase 500 milhões de euros, com taxas que variam entre 27 e 55 por cento. Tarifas que com o acordo do Mercosul serão gradualmente eliminadas até atingir zero tarifas sobre alguns produtos.
O problema é o som italiano: reggianito, grana padao, tipo grana, salame tipo italiano ou presumível tipo Parma são exemplos de falsificações Made in Italy.
No paladar a diferença é nítida para quem conhece os produtos, mas eles podem agradar um consumidor não treinado, principalmente. E é precisamente sobre produtos falsos italianos, mas também europeus, que se joga o jogo mais importante do acordo entre a União Europeia e os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai).
“O objetivo é assinar em dezembro”, disse o Comissário Europeu para a Agricultura, Christophe Hansen, em São Paulo, durante a missão de alto nível no Brasil com 76 empresas agroalimentares do Velho Continente, das quais 12 são italianas, o maior número de representação. “Não será uma liberalização sem regras. Seremos rigorosos na reciprocidade e não haverá retrocessos na defesa das nossas tradições”, e recorda as salvaguardas adicionais propostas “que representam uma apólice de seguro para as empresas”. Uma defesa que não convence os agricultores italianos que apontam a falta de um mecanismo automático de segurança em matéria de reciprocidade. “Para nós da Confagricoltura, o Mercosul – diz o presidente Massimiliano Giansanti – é um acordo polêmico porque se for verdade que alguns setores poderão se beneficiar dele, como o vinho, do outro lado da balança muitos setores serão muito prejudicados”. Principalmente açúcar, aves, arroz e gado.
Há 344 bebidas e produtos alimentares da UE na lista daqueles que serão protegidos de imitações, dos quais 57 são italianos e vão desde vinagres balsâmicos a presuntos, queijos, toda uma série de vinhos, maçãs, até Cantucci toscano, de acordo com um relatório publicado pela Comissão Europeia, Direcção-Geral do Comércio Internacional (DG Comércio).