O conflito em curso no Médio Oriente em 2026 está a colocar uma pressão crescente sobre os já frágeis sistemas agroalimentares, colocando em risco a disponibilidade, o acesso e a acessibilidade dos alimentos a nível mundial. Este é o alarme lançado pelo Diretor Geral da FAO, Qu Dongyu, na abertura da 38ª sessão da Conferência Regional para o Próximo Oriente, realizada em Roma num momento definido como “crítico” para toda a região.
Segundo a FAO, as tensões estão a comprometer não só a produção agrícola, mas também as redes de distribuição e as rotas comerciais, com repercussões nos mercados internacionais. O aumento dos preços da energia e as dificuldades nos mercados de fertilizantes estão, de facto, a aumentar os custos de produção, reduzindo a produtividade agrícola tanto nos países envolvidos como a nível global.
As consequências afectam particularmente os países fortemente dependentes das importações de alimentos, onde o risco de insegurança alimentar está a aumentar rapidamente. Agricultores, produtores e operadores da cadeia de abastecimento encontram-se cada vez mais expostos, com os meios de subsistência postos à prova por uma crise que também envolve factores de produção essenciais, como maquinaria e produtos químicos.
Durante a conferência, presidida pelos Emirados Árabes Unidos, ministros e decisores políticos da região discutiram estratégias para enfrentar um contexto cada vez mais complexo e interligado. No centro da discussão estão quatro prioridades: fortalecer as cadeias de abastecimento e reduzir as perdas de alimentos; diversificar as fontes de abastecimento e apoiar a produção local; investir em infra-estruturas e no desenvolvimento rural; e promover parcerias público-privadas eficazes.
Um amplo espaço também foi dedicado à necessidade de acelerar a transição para sistemas agrícolas mais sustentáveis e resilientes, com foco na inovação, na economia circular e na redução de resíduos. No entanto, uma das principais questões continua a ser o financiamento: os recursos públicos não são suficientes e é necessário mobilizar capital privado, instrumentos financeiros inovadores e uma maior cooperação internacional.
A FAO sublinha como a segurança alimentar está intimamente ligada à estabilidade geopolítica: sem paz, alerta a organização, não pode haver acesso garantido aos alimentos. Neste cenário, a transformação dos sistemas agroalimentares torna-se uma condição essencial não só para enfrentar a emergência, mas também para construir uma estabilidade duradoura na região e fora dela.