O “mar de oliveiras” confirma-se como uma das imagens mais representativas de Espanha e um exemplo concreto de sustentabilidade aplicada. Isto foi sublinhado pelo Ministro da Agricultura, Luis Planasfalando no I Congresso Internacional sobre Agricultura e Biodiversidade, organizado pela SEO/BirdLife no âmbito do projeto LIFE Olivares Vivos+.
Olhando para a campanha de azeite 2025/2026, o ministro estimou uma produção em cerca de 1,29 milhões de toneladas, menos 9% face ao ano anterior. Apesar disso, garantiu que o abastecimento será garantido, manifestando confiança na estabilidade tanto dos rendimentos dos olivicultores como dos preços para o consumidor.
No seu discurso, o ministro destacou como os sistemas alimentares sustentáveis representam “a base do presente e do futuro do planeta”, reiterando a necessidade de produzir mais alimentos utilizando menos recursos, num equilíbrio entre a proteção ambiental e a dinâmica do mercado. Uma abordagem, explicou, totalmente alinhada com os actuais desafios do sector agrícola.
Amplo espaço foi dedicado ao papel de Política Agrícola Comum (CAP), definida como o principal instrumento de apoio ao sector. Planas lembrou que, no atual período de programação, mais de 40% do orçamento global atribuído a Espanha está ligado a objetivos ambientais e climáticos, tanto direta como indiretamente.
O ministro colocou ainda ênfase no apoio específico à olivicultura tradicional e à pecuária extensiva, modelos considerados fundamentais para a proteção do território rural e da paisagem agrícola. “Sem rentabilidade, as empresas ficam abandonadas”, alertou, sublinhando como o apoio ao rendimento continua a ser um pilar essencial das políticas agrícolas.
Entre as principais inovações da PAC estão os regimes ecológicos, dotados em Espanha com cerca de 1,1 mil milhões de euros por ano, que incentivam práticas agrícolas sustentáveis e envolvem cerca de três quartos dos agricultores e criadores. Planas citou, entre as medidas mais relevantes, a adoção de coberturas vegetais, a rotação de culturas, a modernização dos sistemas de irrigação – com investimentos público-privados superiores a 2,7 mil milhões de euros – e a criação de “ilhas de biodiversidade” para incentivar os polinizadores e a fauna auxiliar.
Para concluir, Planas reiterou um princípio fundamental: “a agricultura do século XXI será sustentável e rentável, ou não será”, destacando a inseparabilidade entre a sustentabilidade ambiental e o equilíbrio económico para o futuro do sector.