Uma reforma estrutural da cadeia de abastecimento de azeite está no centro de um projeto de lei apresentado pela Ordem dos Engenheiros Tunisinos à Assembleia dos Representantes do Povo. O objectivo é modernizar o sector, melhorar a qualidade dos produtos e aumentar o valor económico das exportações, apostando nas competências técnicas e na transformação industrial.
O projecto prevê a introdução da obrigatoriedade de fiscalização técnica por parte de engenheiros agrónomos nas explorações agrícolas com área superior a 50 hectares, nos lagares e nas unidades de embalagem. Uma medida que visa colmatar uma lacuna significativa: atualmente, a assistência técnica envolve menos de 1% da cadeia de abastecimento.
Segundo os promotores, a integração de pelo menos 2.000 engenheiros e técnicos permitiria optimizar a gestão agronómica dos olivais, melhorar os processos de extracção e garantir padrões de qualidade mais elevados. É também dada especial atenção à gestão dos recursos hídricos, um tema cada vez mais central num contexto de crescente pressão climática.
O presidente da Ordem, Mohsen Gharssi, sublinhou o peso estratégico do sector: o azeite representa cerca de 40% das exportações agrícolas do país e constitui fonte de rendimento para mais de um milhão de pessoas. No entanto, entre 75% e 80% da produção é exportada a granel a cerca de 4 euros por litro, para depois ser embalada e revendida nos mercados internacionais a preços que podem atingir os 10-15 euros por litro.
Para reverter esta dinâmica, a proposta inclui incentivos fiscais para embalagens locais e um plano para modernizar cerca de 1.800 fábricas, muitas das quais requerem atualizações tecnológicas para melhorar a eficiência e preservar a qualidade do produto.
Entre as medidas previstas está também um programa dedicado ao empreendedorismo jovem, que visa incentivar a entrada de engenheiros no setor através de novas iniciativas produtivas e de serviços de elevado valor acrescentado.
Segundo estimativas dos promotores, a implementação da reforma poderá gerar até 5 mil milhões de dinares tunisinos por ano, o equivalente a aproximadamente 1,5 mil milhões de euros, e criar até 50 mil empregos.
O desafio agora será traduzir o quadro regulamentar em resultados concretos, acompanhando a inovação técnica com uma estratégia capaz de reforçar a presença da Tunísia nos segmentos mais rentáveis do mercado global de azeite.