As cultivares de oliveiras típicas da região de Marche viajam até à capital toscana para se apresentarem a um público empresarial e entusiasta: foi por ocasião da 18ª edição da Maredamare, feira de moda praia realizada em Florença, em Fortezza da Basso, que a olivicultura de Marche lançou uma ponte entre a agricultura e a moda, dando-se a conhecer a um público maioritariamente estrangeiro que ficou impressionado com esta presença curiosa que representa, tal como a moda praia, um nicho de criatividade made in Italy.
Duas empresas fabricantes – Associazione Coroncina (Pievefavera) e Ultimo Piceno di Simone Fattobene (S. Severino Marche) – contaram a história e expuseram as particularidades dos azeites aos visitantes italianos, mas também da Europa, Japão e Emirados Árabes Unidos. Também foi possível conhecê-los mais a fundo por meio de degustação graças às masterclasses ministradas pelo painelista Giulio Scatolini. Os organizadores da feira estão muito satisfeitos, cujo presidente, Alessandro Legnaioli, pensa em repetir a iniciativa no próximo ano, tanto que o programa será definido detalhadamente por ocasião do habitual “Festival do Novo Petróleo” agendado em S. Severino Marche, no sábado, 29 de novembro, no restaurante Due Torri.
Uma combinação de moda e comida que pode parecer inusitada, mas que ajuda a abrir novos contactos e mercados para um dos produtos mais característicos de Marche, o petróleo. Para esta ocasião, de facto, foi a zona sudoeste da província de Macerata que falou das suas produções, como Comunanza Extravergine dell’Alto Macerata. Ultimo Piceno, empresa agrícola de Simone Fattobene que também produz cerveja, mostrou a gama de azeites de variedades como Pocciolo, Borgiona, Piantone di Falerone, Piantone di Mogliano, Orbetana, Bosana e Coroncina, uma cultivar menos conhecida – geneticamente semelhante à Bosana da Sardenha, à Peranzana Foggiana e à Molise Cerasa di Montenero – potenciada pelo projecto realizado pela Associação Coroncina, mais um expositor na feira.
Coroncina é a variedade nativa específica dos municípios de Serrapetrona, Caldarola, Belforte del Chienti, Camporotondo di Fiastrone e Cessapalombo, atravessados pelo rio Chienti que deságua no lago artificial de Caccamo, um dos dois que alimenta a usina hidrelétrica próxima. O vale do Chienti, conhecido como “della Coroncina”, foi o ambiente ideal para que esta cultivar em particular se enraízasse da melhor forma possível, desenvolvendo o forte toque de alcachofra.
Nas proximidades do Lago Caccamo encontra-se também a zona arqueológica de Pievefavera, na estrada de Roma, ao longo do Flaminia, em direção à costa do Adriático. Uma via de comunicação que na antiguidade, durante a Idade do Ferro, foi um ponto crucial para ligar os Piceni e a Dalmácia: a zona do Piceno era de facto um importante local de processamento e comércio de artefactos de âmbar, procurados para joalharia e ornamentos. Uma região que, se quisermos, já se destacava pela busca pela elegância!