O roteiro museológico da Cidade do Chocolate é enriquecido com o primeiro… “chocolate”

Uma nova aquisição hoje enriquece o patrimônio histórico e expositivo presente na Cidade do Chocolate. A já rica coleção Caraceni, instalada ao longo do percurso do museu, registra de fato uma nova entrada de grande prestígio: é o texto Historia naturale e morale delle Indie, de RP Gioseffo di Acosta, publicado em Veneza por Bernardo Basa em 1596.

A importância histórica deste antigo volume reside no facto de nele aparecer pela primeira vez o termo chocolate. Para ser mais preciso, utiliza-se a palavra chocolate, como os espanhóis chamavam a bebida sagrada dos astecas. Este texto, na verdade, é a versão italiana daquele publicado pouco antes em espanhol; mesmo na tradução italiana o termo chocolate permaneceu inalterado, por se tratar de um lema recém-criado, que ainda não tinha correspondência em italiano.

“As populações mesoamericanas pré-colombianas (maias, astecas, toltecas, etc.) – declara Roberto Caraceni, Diretor de Educação da Cidade do Chocolate – não tinham um termo para identificar o chocolate, mas se referiam a ele usando frases como “água de cacau”, “água quente”, “água amarga” ou similares. Asteca”.

Neste texto, sob o título Cacau, Acosta conta como esta fruta era muito apreciada pelos mexicanos (como já eram chamadas as populações locais da América Central) e tida em alta conta, como algo altamente precioso. Suas sementes também eram usadas como moeda e às vezes oferecidas como esmolas aos mais pobres. Mas acima de tudo serviam para preparar uma bebida, chocolate, com água e muitos temperos. Ele então afirma “isso é loucura […] e dizem que é peitoral, e para o estômago, e contra o cátaro”.

Esta bebida tinha um valor sagrado e espiritual e era frequentemente usada durante ritos e cerimônias. Sabemos que aquelas populações praticavam ritos religiosos particularmente violentos, com sacrifícios a favor dos Deuses. A este respeito, Acosta fala de um costume asteca dedicado a uma das divindades mais veneradas: Quetzalcoatl, o Deus do cacau.

Durante quarenta dias um escravo ou prisioneiro teve que se passar por esta divindade e, para isso, foi vestido com roupas preciosas, venerado, respeitado e honrado, até o quadragésimo dia, quando foi sacrificado segundo um procedimento muito violento. Anteriormente, porém, ele recebeu uma bebida à base de cacau na qual o sangue coagulado na adaga usada no sacrifício anterior havia sido dissolvido. “Não é exatamente uma gentileza – acrescenta Caraceni – mas dá uma boa ideia de quanto a religião e a divindade eram o fulcro da vida social e espiritual daquelas populações”.

“As páginas deste antigo texto – afirma Eugenio Guarducci, Diretor Artístico da Cidade do Chocolate – oferecem uma verdadeira crônica viva da sociedade das populações mesoamericanas daquela época, cujos costumes estavam decididamente distantes dos costumes e culturas espanholas e europeias em geral.

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