A reclamação espanhola: os controles sobre o azeite são inexistentes, uma farsa do governo

Novo capítulo na guerra de dados no mercado do azeite. A COAG Andaluzia, a principal organização agrária da região, lançou um ataque frontal ao Ministro da Agricultura espanhol, Luis Planas, acusando-o de fornecer falsas garantias sobre a segurança das importações. O cerne da discórdia é o alegado “controlo total” do produto que entra em Espanha, afirmação que, segundo o sindicato agrícola, é refutada por um recente relatório do Tribunal de Contas da União Europeia.

“As palavras do ministro não correspondem à realidade”, declarou o secretário-geral da COAG Andaluzia, Juan Luis Ávila, citando as conclusões do documento comunitário. O relatório, de facto, destaca “deficiências” significativas nos sistemas de verificação do petróleo proveniente de outros países membros. Segundo Ávila, os controlos seriam, de facto, “inexistentes ou muito limitados” uma vez que o produto atravessasse as fronteiras internas da UE.

O problema, explica a organização, reside na assimetria dos sistemas nacionais. Enquanto Espanha aplica registo prévio e controlos internos rigorosos que permitem rastrear a exploração de origem, outros Estados-Membros adotam procedimentos mais flexíveis. Esta falta de harmonização torna a rastreabilidade “impossível” quando o petróleo provém ou transita por países com normas menos rigorosas, anulando efectivamente os controlos na fronteira espanhola.

A zombaria dos números dançantes

Mas a reclamação do COAG não se limita à comunidade. A organização apontou ainda o dedo à Agência de Informação e Controlo Alimentar (AICA), órgão dependente do Ministério da Agricultura. Ávila denunciou o que chama de “grave alteração” dos dados estatísticos oficiais.

“Um dia é publicado o valor do stock e, poucas horas depois, aparecem no local quase 20 mil toneladas a menos de óleo armazenado, sem qualquer explicação pública”, protestou o dirigente agrícola. Estas recuperações contínuas nos números, na sua opinião, não representam um mero erro técnico, mas prejudicam a credibilidade das instituições e têm um “impacto direto” na volatilidade dos preços, causando estragos entre os produtores num momento já crítico para o setor.

Suspeita sobre a estratégia de preços

O sindicato agrícola levantou uma questão importante: estes “movimentos” nos dados respondem a uma estratégia que visa influenciar artificialmente a tendência do mercado? A preocupação subjacente é que a opacidade da informação favoreça a especulação em detrimento dos olivicultores, que sofrem oscilações de preços sem ter uma imagem clara da real oferta.

Por esta razão, a COAG Andaluzia solicitou ao Governo espanhol um acto de total transparência, exigindo a publicação detalhada e periódica dos controlos efectuados ao petróleo importado de países terceiros. Um pedido que surge no momento em que a organização pede também a revisão das quotas preferenciais de importação previstas pelo contingente tunisino (56 mil toneladas por ano).

Segundo o COAG, estes instrumentos comerciais deveriam ser aplicados com maior rigor e acompanhados de eficazes “cláusulas de salvaguarda”, para evitar que a entrada massiva de produtos com direitos subsidiados acabe por distorcer ainda mais os preços internos, num contexto já marcado pela inflação e pelo aumento dos custos de produção.

A resposta do ministério, neste momento, não demorou a chegar a nível técnico, mas a organização agrícola alerta: a discussão está aberta e a confiança no sistema de controlo está agora quebrada.

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