A Comissão Europeia apresentou hoje um novo pacote de ajustamentos à Política Agrícola Comum (PAC) para ajudar os agricultores a fazer face ao aumento dos preços dos fertilizantes. Medidas que acompanham a proposta, já anunciada no início da semana, de reforço da reserva agrícola para crises. Um conjunto de intervenções que, segundo a Copa e a Cogeca, representa “um primeiro passo positivo mas completamente insuficiente face à dimensão da crise que corre o risco de esmagar a agricultura europeia nos próximos meses”.
Graças ao Comissário da Agricultura, Christophe Hansen, a reserva para crises aumentará para 540 milhões de euros. Os Estados-Membros também poderão complementar esta dotação com recursos nacionais adicionais. “Uma tentativa inicial que saudamos – escrevem as organizações agrícolas – mas que continua muito limitada face ao número de empresas afetadas e à dimensão da crise esperada para a campanha 2026-2027”. Além disso, esses fundos não serão atribuídos exclusivamente a fertilizantes, e a Comissão continua a evitar um debate necessário sobre mecanismos como o Cbam (o fundo de ajustamento das emissões de carbono nas fronteiras), que aumenta estruturalmente os preços dos fertilizantes, deixando ao mesmo tempo todo o custo sobre os ombros dos agricultores.
Mais flexibilidade, mas sem novos recursos
As novas regras permitem aos Estados-Membros adiantar pagamentos diretos da PAC e introduzir um regime extraordinário de liquidez no contexto do desenvolvimento rural. Uma medida que pode aliviar problemas de caixa no curto prazo. No entanto, alertam a Copa e a Cogeca, “trata-se apenas de reafectar os fundos existentes e não de criar novos recursos. Cada euro disponibilizado hoje será um euro a menos para os agricultores amanhã”.
Somado a isso está o problema do tempo. Qualquer alteração às regras europeias exige negociações em Bruxelas, ajustes nos planos estratégicos nacionais da PAC e procedimentos administrativos que inevitavelmente se arrastam durante meses. “Os agricultores precisam de apoio rápido, não após longos ciclos de aprovação”, denunciam as associações.
O risco concreto para a produção de alimentos
As recentes crises geopolíticas demonstraram a rapidez com que os mercados de fertilizantes podem ser desestabilizados. Numa altura em que os fertilizantes representam um dos maiores custos de produção para a agricultura europeia – e a primeira rubrica de despesa para muitas culturas arvenses – qualquer atraso no desembolso da ajuda corre o risco de minar a rentabilidade das empresas, a produção de alimentos e até mesmo a acessibilidade dos produtos para os consumidores.
Os pedidos: isenções imediatas e parada para Cbam
A Copa e a Cogeca apelam, portanto, a medidas adicionais, que possam ser implementadas sem demora e sem encargos orçamentais significativos. Em particular:
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um derrogação imediata dos limites da Diretiva Nitratos para estrume e digeridos, permitindo uma maior utilização das fontes de nutrientes já disponíveis;
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maior transparência nos mercados de fertilizantes para evitar volatilidade e especulação;
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lá suspensão imediata de Cbam para fertilizantes.
“A crise dos fertilizantes exige velocidade e determinação excepcionais”, concluem as organizações. É por isso que pedem ao Conselho e ao Parlamento Europeu que adotem as primeiras medidas o mais rapidamente possível e que continuem a trabalhar em soluções adicionais. “A segurança alimentar e a resiliência agrícola da Europa não podem permitir atrasos.”