Mercosul e globalização, sustentabilidade ambiental e económica, inovação. Estes foram os temas principais do II Cumbre Agroalimentaria “Sistemas Alimentarios Globales”, que decorreu na semana passada em Barcelona no âmbito da exposição Alimentaria+Hostelco, evento que este ano reservou um papel de destaque ao azeite.
A diretora da Interprofesional del Aceite de Oliva Español, Teresa Pérez, destacou o valor das Denominações de Origem Protegidas (DOP) e das Indicações Geográficas Protegidas (IGP), definidas como um modelo exemplar para a valorização do setor. Em Espanha, lembrou, existem 34 prémios oficiais da Comissão Europeia, que certificam não só a elevada qualidade do produto, mas também a sua ligação com o território de origem.
O foco das atenções centrou-se sobretudo nos efeitos positivos que as DOP e a IGP geram para os consumidores e para o tecido económico e social das zonas rurais onde estas produções são desenvolvidas.
Isto foi reiterado por Enric Dalmau, presidente do DOP Les Garrigues e do Sectorial de DOPs de España, segundo quem estas certificações representam muito mais do que uma marca de qualidade. “Certificam uma qualidade, uma forma de trabalhar, uma forma de fazer as coisas, uma cultura. Porque, no fundo, é uma questão de cultura”, disse.
Segundo Dalmau, este modelo pode tornar-se uma ferramenta decisiva para contrariar o despovoamento do campo e incentivar as novas gerações a permanecerem no mundo agrícola. “É a forma de fazer com que os jovens queiram ficar no meio rural, trabalhar a terra e continuar a produzir estas maravilhas”, declarou, sublinhando como por trás de cada garrafa de qualidade estão “anos de empenho, experiência e tradição”.
Um caminho de crescimento e consolidação que, segundo José Gilabert, presidente da IGP Aceite de Jaén, está atualmente em plena expansão. Gilabert explicou que o novo objectivo do conselho regulador é envolver um número cada vez maior de empresas, cooperativas e produtores numa estratégia baseada na qualidade e na diferenciação. Neste contexto, observou, os instrumentos DOP e IGP são “fundamentais”.
Na frente da sustentabilidade, também falou Francisco Reyes, presidente da Deputação Provincial de Jaén, destacando a ligação direta entre a agricultura sustentável e a qualidade do produto final. “A agricultura sustentável produz alimentos de qualidade, como os azeites com denominação de origem, onde o agricultor cuida da oliveira e acompanha cuidadosamente o cultivo para obter um produto de excelência”, explicou.
Reyes destacou então um aspecto crucial para o futuro do sector: o reconhecimento económico do valor da qualidade. “A qualidade tem um preço e uma parte da população está disposta a pagá-lo”, observou, acrescentando, no entanto, que é necessário um maior trabalho de sensibilização. “Se não entendermos que produtos como esses também são fundamentais para a saúde, dificilmente conseguiremos conquistar novas cozinhas e novos paladares”.